Sua equipe recomendou uma análise detalhada.
O senhor preferiu concentrar a negociação nos ativos da própria família.
Caio apertou a mandíbula.
Eu recordei todas as vezes em que ele havia zombado das minhas reuniões de investimento.
Todas as ocasiões em que Celina fizera comentários sobre minha mãe costureira.
Todos os jantares em que eu ouvira que deveria agradecer pela oportunidade de pertencer aos Varela.
Agora, pela primeira vez, os dois estavam diante de números que não podiam transformar em piada.
— Você tem quase trinta milhões de dólares — Caio murmurou.
— E me deixou acreditar que precisava trabalhar como consultora?
— Eu nunca disse que precisava — respondi.
— Disse que gostava de trabalhar.
Celina colocou a mão no peito.
— Então você enganou nosso filho durante o casamento inteiro!
Olhei diretamente para ela.
— Seu filho sabia que eu possuía investimentos anteriores ao casamento.
Assinou documentos sobre isso.
O que ele nunca perguntou foi quanto eu havia construído.
Caio bateu a palma da mão na mesa.
— Você poderia ter salvado os hotéis!
— Eu ofereci ajuda para organizar as contas.
Você recusou uma auditoria independente.
Depois, seus administradores receberam propostas formais de renegociação.
Nenhuma foi aceita nos termos apresentados.
— Porque eram condições absurdas!
— Exigir que o dinheiro da empresa deixe de financiar despesas particulares não é uma condição absurda.
Lídia abaixou os olhos.
Clara observou Caio com atenção.
Foi então que Júlia colocou outro documento sobre a mesa.
— Antes de prosseguirmos, precisamos tratar de uma tentativa de vincular a senhora Helena a uma garantia pessoal sem autorização.
Caio ficou imóvel.
Celina parou de mexer na bolsa.
Júlia exibiu a cópia do arquivo enviado durante a madrugada.
— Esse documento contém uma assinatura atribuída à minha cliente.
Ela nega tê-lo assinado.
O administrador do crédito já informou que não o aceitou como garantia válida.
Solicitamos a preservação dos registros eletrônicos e estamos tomando as providências legais necessárias.
Clara estendeu a mão para receber uma cópia.
— Quem autorizou o envio disso? — perguntou.
Lídia parecia profundamente desconfortável.
Caio respondeu:
— Foi uma proposta preliminar.
— Com minha assinatura? — perguntei.
Ele evitou meu olhar.
— Você assinou dezenas de documentos quando éramos casados.
— Não assinei esse.
— Talvez tenha esquecido.
A sala ficou silenciosa.
A possibilidade de eu ter esquecido uma garantia de 12,4 milhões de dólares era tão absurda que ninguém tentou defendê-la.
Clara virou para Lídia.
— Precisamos de uma revisão independente dos acessos e das autorizações.
Imediatamente.
Lídia assentiu.
Caio tentou recuperar a iniciativa.
— Não podemos perder tempo com burocracia.
Se não houver extensão da dívida, teremos um problema de liquidez.
Mário manteve o tom profissional.
— A proposta de reestruturação continua disponível.
Ela prevê revisão independente das contas, suspensão temporária de distribuições aos sócios, proteção de recursos para salários e um cronograma de pagamento adequado à capacidade operacional dos hotéis.
— E quem administraria a empresa? — Caio perguntou.
— Isso precisará ser decidido pelo conselho e pelos acionistas competentes.
O credor pode estabelecer condições para renegociar o empréstimo, mas não assume automaticamente o controle da administração.
Celina finalmente compreendeu que não conseguiria resolver a situação exigindo acesso ao meu cartão.
— Helena, querida — começou, mudando repentinamente a voz.
— Talvez tudo isso seja um grande mal-entendido.
Eu