viu o rosto de Clara.
“Meu Deus.
O que aconteceu?”
Clara colocou a pasta sobre a mesa.
“Eu preciso que você leia isso antes de eu tomar qualquer decisão.”
Helena analisou página por página.
A expressão dela mudou lentamente.
“Clara, isso é muito mais sério do que eu imaginava.”
“Por quê?”
“Porque esse documento não foi feito apenas para proteger Rafael.
Ele cria caminhos para ele acessar informações que podem comprometer seus bens.”
Clara sentiu um vazio no estômago.
Mas antes que pudesse responder, lembrou do envelope que tinha recebido naquela tarde.
A mensagem anônima.
A fotografia.
Ela ainda não tinha mostrado tudo para Helena.
Com mãos trêmulas, abriu a bolsa e retirou o envelope.
Dentro estavam cópias de mensagens e uma imagem impressa.
Helena pegou a fotografia e aproximou da luz.
Nela, Rafael aparecia entrando em uma agência bancária ao lado de Vera.
Mas não era apenas isso.
Atrás deles havia uma terceira pessoa segurando uma pasta com o símbolo da empresa de Clara.
A mesma empresa que ela havia construído com anos de esforço.
“A pessoa que tirou essa foto sabia o que estava acontecendo”, Helena disse.
Clara ficou olhando para a imagem.
O medo que sentia antes começou a ser substituído por outra coisa.
Determinação.
“Eu preciso descobrir quem está ajudando eles.”
Helena apontou para os documentos.
“Antes disso, precisamos entender até onde esse plano vai.”
Na manhã seguinte, Clara tomou uma decisão que mudaria a forma como todos ao redor dela enxergariam aquela situação.
Ela não confrontaria Rafael imediatamente.
Não ainda.
Primeiro, ela iria descobrir quais informações eles já tinham conseguido.
Porque, se alguém dentro da empresa estava entregando dados para Rafael e Vera, a traição não estava apenas dentro daquele relacionamento.
Ela estava dentro do lugar que Clara levou anos para construir.
E quando ela abriu o sistema interno da empresa para iniciar a investigação, encontrou um acesso desconhecido registrado naquela mesma semana.
O usuário responsável pelo acesso tinha um nome que fez seu coração parar por alguns segundos.
Era alguém em quem ela confiava completamente.
O nome na tela fez Clara permanecer imóvel por alguns segundos.
Ela releu o registro de acesso.
Depois abriu novamente.
Não havia erro.
O usuário responsável pela movimentação interna de arquivos era de Bianca.
Sua assistente de confiança há quase quatro anos.
A mesma pessoa que sabia quais clientes estavam fechando contratos importantes, quais projetos estavam em negociação e onde ficavam armazenadas informações financeiras da empresa.
Clara sentiu uma mistura de incredulidade e decepção.
Bianca não era apenas uma funcionária.
Ela tinha sido a primeira pessoa que Clara contratou quando a empresa ainda funcionava em uma pequena sala alugada.
Ela esteve presente nos momentos em que Clara pensou em desistir, nas madrugadas de entrega de projetos e nas comemorações das primeiras grandes conquistas.
“Tem certeza de que foi ela?”, Helena perguntou com cuidado.
Clara não respondeu imediatamente.
Ela não queria acreditar.
Mas acreditar sem provas era exatamente o que tinha feito durante anos com Rafael.
E agora ela estava pagando o preço.
“Eu preciso saber o que ela acessou”, Clara disse.
As duas passaram as próximas horas analisando os registros do sistema.
Quanto mais avançavam, mais claro ficava que não era uma ação aleatória.
Bianca tinha aberto arquivos relacionados aos contratos de maior valor da empresa, relatórios de faturamento