Sofia pegou a caixa.
Antes de sair, olhou uma última vez para a cozinha.
Durante anos, aquele lugar representara serviço, humilhação e medo.
Agora era apenas um cômodo vazio de uma casa à venda.
Ela atravessou a porta lateral sob a luz fria de novembro.
Do lado de fora, seu próprio carro estava estacionado junto à calçada.
Nenhum motorista esperando.
Nenhum marido decidindo o caminho.
Nenhuma sogra exigindo que voltasse para dentro.
Sofia colocou a caixa no banco de trás e sentou-se ao volante.
No pulso, onde antes havia uma pulseira hospitalar, usava apenas um relógio simples.
Ela ligou o motor.
E, pela primeira vez em muito tempo, ninguém naquela família tinha uma chave para onde ela estava indo.