senhor Beaumont deve manter autoridade executiva irrestrita enquanto investigamos transações que podem ter violado deveres fiduciários e políticas internas.”
Julian se inclinou para a frente.
“E quero registrar que esta investigação nasceu de uma disputa conjugal conduzida por uma acionista emocionalmente comprometida.”
Clara sentiu a velha irritação surgir.
Durante anos ele usara a mesma arma.
Quando ela concordava, era brilhante.
Quando questionava, estava emocional.
Desta vez, ela não respondeu.
Theo projetou uma linha do tempo sem exibir informações bancárias sensíveis na tela.
Os diretores receberam cópias individuais.
Oito milhões e quatrocentos mil dólares para a East Harbor Strategy.
Três milhões e duzentos mil para uma empresa criada seis semanas antes de receber seu primeiro contrato.
Pagamentos duplicados por supostos serviços de expansão internacional.
E, finalmente, a tentativa de movimentar dezenove milhões para uma conta vinculada a uma estrutura que não constava na relação regular de subsidiárias.
Um dos advogados de Julian interrompeu.
“Meu cliente afirma que todas essas operações tinham finalidade legítima e serão devidamente explicadas.”
“Ótimo”, respondeu Mara.
“É exatamente para isso que serve a investigação.”
Então Theo mostrou a alteração documental.
Duas aprovações continham a assinatura digital de Samuel Price.
Samuel negava tê-las autorizado.
A análise técnica preliminar mostrava que a credencial fora utilizada a partir de um notebook registrado no gabinete executivo de Julian enquanto Samuel estava em Londres.
Julian ficou vermelho.
“Várias pessoas têm acesso àquele gabinete.”
“É possível”, disse Theo.
“Por isso não estamos atribuindo autoria neste momento.”
Clara viu Robert Kane fechar lentamente o relatório.
A reunião fez uma pausa de quinze minutos.
Julian encontrou Robert no corredor.
Clara não ouviu toda a conversa, mas viu Julian colocar a mão no ombro do amigo.
Robert se afastou.
Quando todos retornaram, Mara pediu declarações finais.
Julian falou primeiro.
Durante quase dez minutos, lembrou ao conselho que transformara uma pequena companhia em um grupo avaliado em bilhões.
Citou aquisições bem-sucedidas, expansão internacional, empregos criados e lucros entregues aos investidores.
Muita coisa era verdade.
Foi isso que tornou sua queda mais dolorosa.
Julian não era um impostor sem talento.
Era um homem talentoso que começou a acreditar que resultados lhe davam imunidade.
Quando terminou, Clara pediu a palavra.
“Não quero administrar esta empresa porque meu casamento terminou”, disse.
“Também não quero que o conselho condene Julian antes de uma investigação completa.”
Ela olhou ao redor da mesa.
“Quero apenas que o mesmo padrão aplicado a qualquer executivo seja aplicado ao homem com quem me casei.
Se um diretor financeiro tivesse movimentado milhões para estruturas relacionadas a pessoas próximas sem divulgação adequada, nós suspenderíamos sua autoridade enquanto investigávamos.
Se fosse um vice-presidente, faríamos o mesmo.
Julian não deve receber tratamento pior porque é meu marido.
Mas também não pode receber tratamento melhor porque é fundador.”
Robert Kane olhou para Julian.
Depois para o relatório.
Mara iniciou a votação.
O primeiro voto foi pelo afastamento temporário.
O segundo também.
Terceiro.
Quarto.
Quinto.
O sexto nome chamado foi Robert.
Julian ficou imóvel.
Robert demorou alguns segundos.
“Conheço Julian há dezenove anos”, disse.
“E espero sinceramente que exista uma explicação legítima para tudo isso.”
Julian respirou.
Robert continuou:
“Mas amizade não é controle interno.”
Ele votou pelo afastamento.
Seis votos.
A autoridade executiva de Julian foi suspensa imediatamente, com pagamento e benefícios preservados enquanto a auditoria prosseguia, conforme previsto pelos contratos