a porta e entregou a chave ao corretor.
Sua aliança permanecia guardada num envelope no escritório de Helena, preservada junto com outros objetos e documentos do caso.
Marina nunca pediu de volta.
Para ela, aquele pequeno círculo de ouro havia deixado de representar o casamento no instante em que Daniel acreditou que podia transformar amor em obediência.
Na manhã seguinte, Marina tomou café numa varanda diferente, em um apartamento alugado perto do rio.
Segurou a caneca com as duas mãos.
O líquido estava quente.
Ela percebeu isso.
E, pela primeira vez em muitos meses, não sentiu medo.
Do lado de fora, a cidade começava mais um dia.
Marina abriu a janela, deixou o ar entrar e continuou sentada enquanto a luz avançava lentamente pelo chão.