me procurasse anos depois.
— Por quê?
A mulher ficou alguns segundos em silêncio.
Depois fechou a porta.
— Porque sua madrinha me pediu para entregar uma documentação específica apenas se houvesse uma tentativa de interferência na sua herança.
Renata sentiu o corpo gelar.
— Que tipo de documentação?
A advogada levantou uma caixa do armário.
Dentro dela havia cópias, recibos, correspondências e um envelope lacrado.
— Helena desconfiava de alguém da família.
Renata encarou o envelope.
— De quem?
A advogada não respondeu.
Em vez disso, empurrou a caixa pela mesa.
— Ela escreveu o nome.
Renata abriu o envelope com as mãos trêmulas.
Havia uma única folha.
O nome escrito ali fez seu coração parar por um instante.
Não era Caleb.
Não era sua mãe.
Era alguém cuja presença naquela história poderia explicar por que três pessoas diferentes estavam dispostas a arriscar tudo para colocar as mãos em seu dinheiro.
Renata levantou os olhos.
— Por que minha madrinha nunca me contou?
A advogada respirou fundo.
— Porque ela queria proteger você até ter certeza de quem estava dizendo a verdade.
Nesse instante, o telefone de Renata tocou.
Número privado.
Ela atendeu.
Do outro lado, uma voz masculina disse apenas:
— Você encontrou a carta, não encontrou?
Renata ficou gelada.
— Quem é você?
A chamada caiu.
Poucos segundos depois, uma mensagem chegou.
Era uma foto.
A imagem mostrava a casa de seus pais vista do outro lado da rua.
E, na varanda, seu pai segurava a mesma pasta azul que aparecera nas gravações do banco.
Naquela noite, Renata entendeu que o roubo do cartão era apenas a primeira camada de um plano muito mais antigo.
A família havia tentado arrancar dela dinheiro, segurança e até o direito de voltar para casa.
Mas alguém se esqueceu de uma coisa.
Renata agora tinha provas.
E, pela primeira vez, não pretendia pedir permissão para descobrir toda a verdade.