oficial da escritura confirmava aquilo que ele desconhecia: Hawthorne Manor pertencia legalmente a mim.
Não assinei os papéis.
Em vez de discutir com Ethan, esperei que ele saísse e liguei para minha advogada, Helena Duarte.
Expliquei a situação e pedi que verificasse a alegada venda da mansão.
Helena confirmou que a escritura havia sido registrada em meu nome antes da data em que Ethan afirmava ter vendido a propriedade.
A advogada também orientou que eu preservasse todas as mensagens e não assinasse qualquer documento sem análise jurídica.
Naquela noite, encontrei a publicação de Ethan nas redes sociais.
Ele aparecia ajoelhado na biblioteca da mansão, pedindo Olivia em casamento com um anel de família que eu mesma havia resgatado de uma casa de penhores.
A legenda agradecia à mulher que, segundo ele, salvara sua família.
Olhei para meus filhos dormindo lado a lado.
Não permitiria que crescessem acreditando que amor significava aceitar humilhações ou que irmãos podiam ser separados por conveniência financeira.
Enquanto eu permanecia no hospital, Helena reuniu a documentação da compra e encaminhou às autoridades uma denúncia sobre a suspeita de negociação fraudulenta.
Também solicitou medidas judiciais para proteger a propriedade e impedir que qualquer transferência irregular fosse realizada.
Na manhã seguinte, a mansão estava cheia de pessoas comemorando o noivado.
Diane, mãe de Ethan, levantou uma taça de cristal diante de Olivia.
— A Olivia salvou esta família.
Diferentemente de certas pessoas, ela sabe contribuir para o nosso futuro.
Ethan concordou, sorrindo orgulhosamente.
Os dois acreditavam que a mulher que acabara de dar à luz estava sem recursos, sem poder e sem qualquer possibilidade de reagir.
Então, veículos oficiais pararam diante dos portões.
O sorriso de Diane desapareceu quando os agentes entraram com documentos relacionados à investigação e uma ordem judicial destinada a proteger a situação da propriedade.
— Quem responde por esta residência? — perguntou um dos oficiais.
Ethan levantou-se imediatamente.
— Eu sou da família Carter.
Minha noiva comprou esta casa ontem.
O oficial abriu a pasta e mostrou a escritura registrada.
— A proprietária legal é Grace Carter.
A compra foi concluída três dias antes da data desta suposta venda.
Olivia ficou pálida.
Ela havia transferido uma quantia enorme a Ethan acreditando que estava comprando a mansão.
Agora descobria que ele não tinha o direito de vendê-la.
— Você disse que a casa seria minha! — gritou ela.
— Isso é um engano! — respondeu Ethan.
— Minha esposa está tentando me prejudicar!
Mas os documentos falavam por si.
Os agentes encontraram no escritório papéis relacionados à suposta transação, incluindo documentos cuja autenticidade estava sendo questionada.
A investigação passou a examinar se Ethan havia apresentado documentos falsificados para convencer Olivia a transferir o dinheiro.
A comemoração acabou.
Olivia percebeu que poderia ter sido vítima de uma fraude, Diane deixou de defender o filho com tanta convicção e Ethan foi conduzido para prestar esclarecimentos sobre as suspeitas investigadas.
No hospital, recebi a notícia de Helena.
A advogada também confirmou que estava tomando providências para contestar qualquer tentativa de venda e assegurar meus direitos sobre a mansão.
A propriedade não havia sido legalmente transferida a Olivia.
Entretanto, minha preocupação mais urgente não era a casa.
Era Noah.
Ethan havia afirmado que ficaria com nosso filho e que eu deveria criar Ava sozinha.
Helena preparou os pedidos necessários