Meu Pai Quis Minha Casa e Revelou um Roubo Antigo

era advogada, mas trabalhava principalmente com litígios empresariais.

Havia meses me ajudava a organizar a investigação sobre o patrimônio da minha mãe.

Contei tudo.

Ela ouviu sem interromper.

— A gravação não resolve o caso da sua mãe — disse, quando terminei.

— Mas mostra contexto de pressão financeira e intenção.

E hoje encontrei uma ligação importante.

— Qual?

— A empresa que comprou o prédio da Teresa, a Meridiana Holdings, tinha como administrador formal um homem chamado Osvaldo Peixoto.

Ele foi sócio informal de um negócio do seu pai por alguns anos.

Senti o estômago afundar.

— Isso aparece em algum registro?

— Em documentos de outra empresa.

E encontrei outra pessoa: Álvaro Menezes, antigo contador da sua mãe.

Consegui falar com ele esta tarde.

— Ele está vivo?

— Está.

E assustado.

Camila me disse que Álvaro guardara cópias de livros-caixa e correspondências de Teresa.

Também revelara que Mauro havia entrado em contato com ele recentemente.

— Por quê?

— Não quis explicar por telefone.

Disse que precisava falar pessoalmente.

Desliguei pouco depois das onze da noite.

Fiz café e fui para a varanda.

O ar estava frio, e o cheiro de sal subia da praia.

Eu esperava me sentir arrasada.

Em vez disso, senti algo parecido com alívio.

Eu passara anos tentando descobrir se minhas lembranças eram injustas.

Os documentos estavam começando a responder por mim.

Às 23h31, um sedã escuro parou diante do portão.

Um homem idoso saiu carregando uma pasta de couro.

Na tela do interfone, ele olhou diretamente para a câmera.

— Helena Duarte? Meu nome é Álvaro Menezes.

Fui contador da sua mãe.

Seu pai mentiu para você sobre o que aconteceu depois da morte dela.

Eu não abri o portão imediatamente.

Perguntei quem lhe dera meu endereço.

— Camila Reis.

Confirmei com ela por mensagem.

Só então deixei que ele entrasse.

Álvaro tinha sessenta e nove anos e a postura de quem carregava culpa havia muito tempo.

No escritório, recusou café e colocou sobre a mesa três envelopes, um livro-caixa de capa azul e uma cópia do contrato de venda do antigo prédio.

— Teresa não morreu endividada — disse.

— Ela deixou patrimônio e liquidez suficientes para manter você com conforto até a faculdade.

Eu não respondi.

Ele abriu o livro-caixa.

Minha mãe possuía o prédio e uma participação de vinte por cento numa pequena empresa de armazenagem.

Havia também uma apólice de seguro de vida e investimentos conservadores.

— Seu pai, como responsável, podia administrar certas coisas em seu benefício.

Não podia transformar tudo em dinheiro para uso próprio.

— O que ele fez?

Álvaro apontou para o contrato.

— O prédio foi vendido para a Meridiana Holdings por um valor abaixo do mercado.

Três meses depois, a Meridiana vendeu para um comprador independente por quase o dobro.

— E o lucro?

— Passou por duas contas.

Parte terminou numa conta conjunta de Mauro e Sônia.

Eu fechei os olhos por um segundo.

Sônia sempre alegara que começara a se relacionar com meu pai quase um ano depois da morte de Teresa.

— A conta existia quando minha mãe ainda estava viva?

— Foi aberta duas semanas depois do falecimento.

Álvaro tirou um envelope menor.

— Há outra coisa.

Mauro me procurou ontem.

Queria que eu assinasse uma declaração dizendo

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *