Minha irmã usou o código da minha filha e revelou um esquema muito maior

mesa.

Clara ficou ao meu lado.

Durante vários minutos, ninguém disse nada.

Então perguntei à minha irmã por quê.

Ela começou pela versão mais fácil.

Dívidas.

Depois do divórcio, Renata acumulou dois cartões de crédito, parcelas atrasadas do carro e três meses de aluguel incompleto.

Ela tinha vergonha de pedir ajuda novamente porque eu já havia emprestado dinheiro no ano anterior.

Bruno percebeu sua situação durante conversas no intervalo.

Primeiro ofereceu horas extras.

Depois começou a contar histórias sobre cartões digitais que supostamente eram descartados por erros contábeis.

Segundo Renata, ele dizia conhecer formas de converter saldos não reclamados em dinheiro sem que a loja realmente perdesse nada.

Era mentira.

Ele precisava de códigos de operadores para fazer as ativações parecerem compras comuns e de alguém disposto a apresentar os cartões fisicamente.

Renata começou com valores pequenos.

R$ 600.

Depois R$ 1.200.

Bruno pagava a ela uma porcentagem.

Quando os limites foram ficando maiores, ele passou a fornecer códigos de outros funcionários.

“E o código da Clara?”, perguntei.

Renata chorou.

Não me comoveu.

“Responde.”

Ela contou que Bruno dissera que Clara seria perfeita porque era adolescente, trabalhava poucas horas e não tinha experiência suficiente para contestar um relatório de fraude.

Se alguma transação fosse descoberta, poderiam alegar que ela havia vendido cartões por fora ou compartilhado a senha com parentes.

“Você concordou em fazer minha filha parecer ladra para pagar suas dívidas?”

Renata cobriu o rosto.

Clara não chorou.

Isso me preocupou mais.

Ela perguntou:

“Tia, você sabia que poderiam me demitir?”

Renata não respondeu.

“Sabia que a polícia poderia achar que fui eu?”

Silêncio.

Clara se levantou e foi até o outro lado da sala.

“Então sabia.”

Cerca de quarenta minutos depois, dois investigadores da prevenção de perdas chegaram da unidade regional.

Helena entregou o terminal bloqueado, os registros e os horários sem alterar nada.

Um deles, Marcelo, começou comparando as transações suspeitas com as escalas.

O padrão ficou claro rapidamente.

Sete funcionários tinham seus códigos vinculados a dezessete tentativas de ativação nos três meses anteriores.

Onze transações haviam sido aprovadas.

Outras seis tinham falhado ou sido canceladas.

O valor total aprovado passava de R$ 68.000.

Todos os sete funcionários haviam passado por uma suposta redefinição de senha conduzida por Bruno dias antes do primeiro uso suspeito de suas credenciais.

Três eram menores de idade.

Uma das funcionárias, Júlia, tinha dezesseis anos.

Marcelo pediu acesso às imagens do corredor administrativo.

As câmeras não captavam a tela dos computadores dentro do escritório, mas mostravam quem entrava e saía.

Em cada data relevante, Bruno aparecia conduzindo um funcionário até a sala.

Minutos depois, o jovem saía sozinho.

Nenhum outro gerente participava.

O procedimento correto exigia que o funcionário criasse a própria senha sem que ninguém a observasse.

Clara sabia disso agora.

Na terça-feira anterior, porém, Bruno dissera que uma atualização do sistema mudara a regra.

“Eu achei estranho”, ela falou.

“Mas ele era meu chefe.”

A frase me atingiu com força.

A fraude funcionava porque os adolescentes tinham feito exatamente aquilo que adultos diziam a eles para fazer: confiar no supervisor.

Enquanto conversávamos, o telefone de Renata vibrou.

Na tela apareceu uma mensagem de Bruno.

Marcelo imediatamente pediu que nada fosse apagado.

Explicou que Renata poderia escolher se entregaria voluntariamente as conversas e que, se houvesse investigação policial formal, as autoridades

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