Minha Madrasta Humilhou Meu Pai Ferido — Até Eu Apertar o Play

Quando Laura Valença entrou na casa onde crescera, encontrou o pai se arrastando pelo piso de mármore enquanto sua madrasta observava com um sorriso.

— Mais rápido, Augusto — disse Helena, encostando a ponta do salto perto da mão enfaixada dele.

— Ou talvez você não precise do remédio esta noite.

Laura parou no hall com a mala ainda na mão.

Por alguns segundos, ninguém percebeu que ela estava ali.

Seu pai, Augusto Valença, fundador da Valença Engenharia, tentava alcançar uma xícara caída.

Depois do acidente de carro ocorrido quatro meses antes, a perna direita ainda tinha pouca força.

Duas costelas haviam quebrado.

O punho passara por cirurgia.

Até movimentos simples exigiam um esforço que ele parecia ter aprendido a esconder.

Mas aquilo não explicava por que estava no chão.

Nem explicava a forma como Helena falava com ele.

— Você costumava mandar em centenas de homens — continuou a madrasta.

— Agora não consegue atravessar uma sala sozinho.

No pé da escada, Caio, filho de Helena, assistia sem interferir.

No pulso dele estava o relógio de ouro de Augusto.

Laura reconheceu a peça imediatamente.

Sua mãe, Teresa, dera aquele relógio ao marido nas bodas de prata, pouco antes de adoecer.

Caio percebeu Laura primeiro.

Seu sorriso desapareceu.

— Mãe.

Helena se virou.

Por um instante, a expressão dela revelou surpresa verdadeira.

Depois, o sorriso voltou.

— Laura.

Augusto levantou os olhos.

— Filha…

A palavra saiu quase como um pedido de desculpas.

Laura deixou a mala junto à porta.

— Tire o pé de perto dele.

Helena olhou para o próprio salto, depois para Laura.

— Você chega depois de seis anos e acha que ainda pode dar ordens nesta casa?

Laura não respondeu.

Caminhou até o pai, ajoelhou-se e passou o braço dele sobre os ombros.

Augusto estava muito mais magro do que ela esperava.

— Devagar — murmurou Laura.

— Você não devia ter vindo — disse ele.

— Por quê?

Ele olhou para Helena.

Esse pequeno movimento respondeu tudo.

Laura ajudou o pai a se sentar no sofá.

Enquanto secava o chá derramado sobre a mão dele, sentiu uma raiva fria crescer dentro do peito.

Seis anos antes, ela teria gritado.

Naquela época, fora embora de Belo Horizonte depois de uma discussão devastadora com Augusto.

Ele queria que a filha entrasse na construtora.

Laura queria estudar Direito e construir uma carreira própria.

A discussão terminara com palavras das quais ambos se arrependeram.

Depois, orgulho e distância fizeram o resto.

Durante os anos seguintes, Laura se especializou em investigações corporativas.

Aprendeu a seguir dinheiro por empresas de fachada, encontrar alterações discretas em contratos e reconhecer quando uma assinatura aparentemente legítima havia sido obtida em circunstâncias duvidosas.

Naquela noite, nada disso parecia coincidência.

Ela havia voltado por causa de uma mensagem enviada pela enfermeira do pai às 1h17 da madrugada.

Volte.

Antes que seja tarde.

Helena cruzou os braços.

— Já que resolveu aparecer, precisa entender que muita coisa mudou.

— Estou vendo.

— Seu pai reorganizou o patrimônio.

Augusto fechou os olhos.

Helena continuou:

— A casa, parte das ações, poderes de gestão, movimentações financeiras.

Eu fiquei aqui.

Eu cuidei dele.

Naturalmente, ele decidiu me proteger.

Laura olhou para o pai.

— Foi você quem decidiu isso?

Augusto abriu a boca.

Helena respondeu por ele.

— Ele

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