sua senha bancária.
A dúvida acabou.
— Última vez — Renata disse.
— Abre a porta.
Caio sorriu sem humor.
— Ou o quê?
Renata transferiu o peso para a perna direita e levantou a esquerda.
O chute não foi contra ele.
Foi contra uma pequena mesa lateral de madeira.
Ela caiu com um estrondo.
Um vaso de cerâmica se espatifou no piso.
Caio instintivamente recuou.
Sônia levou as mãos ao peito.
— Você ficou louca!
Renata aproveitou o segundo de confusão para tirar o celular do bolso.
A gravação estava ativa havia seis minutos.
Ela mostrava a tela quando Caio avançou um passo.
— Nem pense nisso.
Ele parou.
— Você gravou a gente?
— Gravei vocês me impedindo de sair, exigindo meu cartão e me ameaçando.
— Desliga isso agora.
— Não.
Sônia tentou recuperar o controle.
— Isso foi uma discussão familiar.
Você também gritou.
Você também quebrou coisas.
— Depois de ser trancada aqui dentro.
Caio mudou de estratégia.
Seu rosto relaxou e sua voz baixou.
— Renata, olha para mim.
Isso saiu do controle.
Ninguém quis te machucar.
— Sua mãe me empurrou contra uma parede.
— Ela perdeu a cabeça.
— E você trancou a porta.
— Porque eu queria que você ouvisse.
— Eu ouvi perfeitamente.
A campainha tocou.
Todos olharam para a entrada.
Três batidas vieram logo depois.
— Renata? — chamou uma voz masculina.
— Você está aí?
Caio perdeu a cor.
Era Augusto, vizinho de Renata havia quase oito anos.
Meses antes, depois que uma funcionária da empresa fora assaltada, Renata havia configurado o recurso de emergência do celular.
Cinco pressionamentos rápidos no botão lateral enviavam uma mensagem automática e sua localização para dois contatos.
Quando Sônia a empurrara, Renata apertara repetidamente o botão dentro do bolso.
Sem saber se funcionaria.
Funcionou.
— Abre a porta — ela ordenou.
Caio permaneceu parado.
Augusto bateu novamente.
— Renata, responde se estiver aí dentro.
Ela inspirou.
— SOCORRO!
Caio destrancou a porta imediatamente.
Augusto entrou acompanhado do porteiro do condomínio.
O olhar dele percorreu a sala: Renata encostada na parede, os cacos de cerâmica, Sônia furiosa e Caio junto à porta.
— Você está bem?
— Fui impedida de sair e empurrada.
Caio levantou as mãos.
— Isso está completamente distorcido.
Renata ergueu o celular.
— Tenho áudio.
Ninguém respondeu.
Augusto aproximou-se dela.
— Vamos embora.
No elevador, Renata segurou a barriga com as duas mãos.
Só então as pernas começaram a tremer.
— Hospital — disse.
— Primeiro o hospital.
A médica examinou Renata, pediu um ultrassom e monitorou o bebê.
Quando o som dos batimentos cardíacos preencheu a sala, Renata fechou os olhos.
Fortes.
Regulares.
A médica informou que não havia sinais imediatos de complicação, embora recomendasse repouso, atenção a qualquer sintoma e retorno ao obstetra.
Renata chorou em silêncio.
Augusto esperou do lado de fora.
Sua irmã, Bianca, chegou pouco depois e sentou-se ao lado dela sem fazer perguntas até Renata estar pronta para falar.
— O casamento acabou — Renata disse por fim.
Bianca segurou sua mão.
— Ótimo.
Renata virou o rosto, surpresa.
A irmã deu um sorriso triste.
— Desculpa.
Eu sei que dói.
Mas depois do que você acabou de me contar, terminar isso é uma coisa boa.
Na manhã seguinte, Renata acordou com mais