No Casamento do Meu Filho, Descobri Que Ele Tinha Dado Minha Casa aos Sogros

diretamente — Bianca falou.

— Eu pretendia contratar alguém.

— Quando?

— Depois da viagem.

Foi a primeira vez que vi o controle escapar completamente das mãos do meu filho.

Aos poucos, peças que eu não conhecia começaram a se encaixar.

Meses antes, Rafael havia me perguntado casualmente quanto valia a propriedade.

Depois perguntara se eu ainda pensava em deixar tudo para ele.

Eu havia respondido que meu planejamento sucessório estava organizado e que não queria discutir detalhes.

Poucas semanas depois, pediu uma cópia da planta da casa alegando que queria planejar uma surpresa para meu aniversário.

Eu não entreguei.

Então houve o pedido pelo código do portão, porque ele supostamente queria passar um fim de semana lá quando eu estivesse viajando.

Eu lhe dera o código temporário.

Agora eu entendia.

Ele não estava esperando herdar minha casa.

Estava vivendo como se já a tivesse herdado.

Saí da recepção menos de quinze minutos depois.

Bianca ficou para trás discutindo com ele.

Eu não precisava assistir.

Durante o trajeto, liguei para minha advogada, Laura Martins, que também cuidara do inventário de Eduardo.

Expliquei tudo.

Ela foi objetiva.

— A escritura continua exclusivamente em seu nome?

— Sim.

— Você assinou autorização de ocupação, comodato, procuração ou qualquer documento semelhante para Rafael?

— Não.

— Então não discuta propriedade com ninguém hoje.

Registre tudo.

Guarde mensagens, contrato da mudança, gravações das câmeras e comprovantes.

E não permita que ninguém leve documentos da casa.

Foi essa última frase que me fez lembrar do escritório de Eduardo.

A porta ficava trancada.

Eu ainda guardava ali uma pasta de couro com cópias da escritura, documentos antigos da empresa, apólices e cartas pessoais do meu marido.

Liguei imediatamente para Augusto.

— Verifique o escritório.

Ele demorou dois minutos.

Quando voltou à ligação, sua voz havia mudado.

— A porta está aberta.

— A pasta de couro está na gaveta inferior da escrivaninha?

Ouvi móveis sendo mexidos.

— Não.

Parei o carro no acostamento.

— Pergunte se alguém tocou nela.

Alguns minutos depois, Celso admitiu que Rafael havia pedido a ele, por mensagem, que procurasse uma pasta marrom no escritório porque nela estaria a documentação necessária para a reforma.

Celso encontrara a pasta e a colocara dentro de uma caixa para entregar a Rafael depois do casamento.

Não havia saído da propriedade.

Respirei novamente.

Quando cheguei, os dois caminhões estavam estacionados perto do galpão.

Caixas ocupavam parte da varanda.

Denise estava sentada em uma cadeira com o rosto abatido.

Camila permanecia ao lado do carro, braços cruzados, olhando para o chão.

Celso veio até mim com a pasta de couro nas mãos.

— Sinto muito.

Peguei a pasta.

— Por entrar na minha casa ou por acreditar no Rafael sem falar comigo?

Ele não tentou se defender.

— Pelos dois.

Essa resposta, pelo menos, era honesta.

Entramos na cozinha.

Denise explicou que Rafael vinha apresentando a propriedade como uma espécie de herança antecipada havia quase seis meses.

Segundo ele, eu pretendia me mudar para uma residência menor depois do casamento e queria que a família de Bianca ajudasse a conservar o lugar.

Ele também afirmara que eu aprovava a reforma da ala de hóspedes.

Camila abriu o celular e mostrou mensagens.

Não precisei ler todas.

Havia fotografias da minha casa enviadas por Rafael, medidas aproximadas de quartos

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