O Pai Disse Que Ela Fingiria a Dor — Até o Exame Revelar a Verdade

Muito provavelmente.

Mas existe outro ponto.

Doutora Helena apontou para uma área da imagem.

— O padrão do fluxo sanguíneo me preocupa.

Precisamos descartar uma torção ovariana.

— O que é isso?

— O ovário pode girar em torno das estruturas que o sustentam, especialmente quando está aumentado por uma massa.

Isso pode comprometer a circulação.

Com a dor que ela apresenta, eu não quero que vocês voltem para casa.

Vou encaminhá-la ao hospital.

Meu celular tocou.

Marcelo.

A médica percebeu meu olhar.

— Pai dela?

— Sim.

— Ele sabe que vocês estão aqui?

Soltei uma risada sem humor.

— Agora sabe.

Foi então que Elisa se curvou na maca.

A dor veio tão forte que ela apertou minha mão e não conseguiu falar.

A doutora chamou uma enfermeira imediatamente.

Em poucos minutos, nossa consulta virou transferência hospitalar.

Enquanto eu acompanhava a cadeira de rodas pelo corredor, meu telefone vibrou de novo.

A mensagem de Marcelo era diferente das anteriores.

Antes que os médicos digam alguma coisa, preciso contar algo sobre a Elisa que você não sabe.

Parei por meio segundo.

Só meio.

Depois guardei o celular.

No hospital, a prioridade era Elisa.

Outra ultrassonografia confirmou uma massa ligada ao ovário direito e sinais preocupantes de redução do fluxo sanguíneo.

Uma ginecologista com experiência em adolescentes, doutora Renata Albuquerque, explicou que a suspeita de torção era alta.

— O tratamento é cirúrgico — disse ela.

— Precisamos avaliar o ovário e remover a formação.

Nosso objetivo é preservar o tecido saudável sempre que possível.

— Ela corre risco? — perguntei.

— Toda cirurgia tem riscos.

Mas esperar, se houver torção, também tem riscos.

Por isso recomendamos agir agora.

Elisa ficou pálida.

— Eu vou poder ter filhos?

Doutora Renata se aproximou da cama.

— Mesmo que um ovário precise ser removido, muitas mulheres têm fertilidade normal com o outro ovário saudável.

Mas ainda não sabemos se isso será necessário.

Não quero que você carregue uma conclusão antes da hora.

A forma tranquila como ela respondeu ajudou Elisa a respirar melhor.

Eu estava terminando de assinar documentos quando Marcelo apareceu no corredor.

Ele vinha rápido, ainda usando o crachá da empresa.

— Carolina!

Virei para ele.

— Ela vai ser operada.

Marcelo parou.

— Operada?

— A massa pode ter causado torção do ovário.

Ele ficou imóvel.

Eu esperava espanto.

Vi culpa.

Foi quando tirei o celular do bolso e abri a mensagem.

— O que você queria me contar?

Ele olhou para Elisa, que estava sendo preparada alguns metros adiante.

— Depois.

— Não.

Agora.

— Carolina, não aqui.

— Você sabia que havia alguma coisa no ovário dela?

O rosto dele mudou.

Não precisei de resposta verbal.

— Você sabia.

Marcelo passou a mão pela testa.

— No exame esportivo do ano passado apareceu um cisto pequeno.

O corredor ficou estranhamente silencioso.

— Que exame?

— O exame para ela entrar no time.

O médico pediu uma ultrassonografia porque ela tinha reclamado de uma dor naquele período.

— E?

— Viram uma formação pequena.

Disseram que provavelmente era um cisto benigno e recomendaram repetir o exame alguns meses depois.

Senti o chão desaparecer sob meus pés.

— Você nunca me contou.

— Eu achei que tinha contado.

— Não minta agora.

Marcelo desviou o olhar.

— O exame

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *