se abaixou e pegou.
Lucas ergueu a cabeça.
Seu rosto mudou completamente.
“Me dá isso.”
“O que é?”
“Clara.”
“O que você colocou na minha bebida?”
O salão inteiro ouviu.
Um murmúrio percorreu os convidados.
Renata olhou do marido para Clara.
“Na bebida dela?”
Lucas tentou se levantar.
“Ela está inventando.”
Clara segurou o frasco longe dele.
“Eu vi você colocando.”
André chegou ao lado dela.
“Você tem certeza?”
“Tenho.”
Lucas soltou uma risada curta e trêmula.
“Ela bebeu demais.
Sempre faz drama quando se sente ignorada.”
A frase era tão familiar que Clara quase sentiu o reflexo antigo de duvidar de si mesma.
Quase.
Então ela disse:
“Eu troquei as taças.”
Lucas ficou imóvel.
Foi uma mudança mínima, mas todos perceberam.
O pai deles, Augusto Ferraz, atravessou o salão.
“O que está acontecendo?”
Clara mostrou o frasco.
“Lucas colocou alguma coisa na minha bebida.
Eu vi.
Troquei a taça.
Ele bebeu.”
Augusto olhou para o filho no chão.
Depois para o frasco.
O rosto dele perdeu a cor.
Clara percebeu imediatamente.
“Você sabe o que é isso?”
“Me entregue.”
“Por quê?”
“Porque não precisamos transformar um mal-entendido em um espetáculo.”
André deu um passo à frente.
“Um mal-entendido?”
Augusto ignorou.
“Clara, me dê o frasco.”
Ela fechou os dedos em torno dele.
“Não.”
Foi uma palavra simples.
Mas para Clara, dizer não ao pai em público parecia atravessar uma porta que havia permanecido fechada por décadas.
Sua mãe, Teresa, apareceu logo depois.
“Por favor, não façam isso aqui.”
Clara olhou para ela.
“Lucas colocou alguma coisa na minha bebida.”
Teresa levou a mão à boca.
Porém sua primeira pergunta foi:
“Alguém chamou uma ambulância?”
“Sim.”
“Então podemos conversar sobre o resto depois.”
Clara soltou uma risada sem humor.
“Claro.
Depois.
Em particular.
Como sempre.”
Os paramédicos chegaram menos de dez minutos depois.
Lucas estava consciente, mas confuso.
Sua pressão estava baixa e ele respondia de maneira lenta.
Um dos profissionais perguntou se alguém sabia o que ele havia ingerido.
Clara entregou o frasco.
“Eu não sei.
Estava na mão dele quando colocou algumas gotas numa taça que deveria ser minha.”
O paramédico encarou Lucas.
“Isso é verdade?”
Lucas não respondeu.
Renata começou a chorar.
Quando os paramédicos prepararam a maca, Lucas agarrou o pulso de Clara.
“Não abre a pasta.”
Ela congelou.
“Que pasta?”, André perguntou.
Lucas percebeu o erro.
Soltou Clara imediatamente.
Ela se inclinou.
“Você está falando dos documentos que chegaram no meu apartamento hoje?”
O medo no rosto dele foi resposta suficiente.
“Clara”, Augusto disse atrás dela, “não agora.”
Ela se virou.
“Você sabe da pasta também?”
Augusto ficou calado.
A ambulância levou Lucas.
Vinte minutos depois, a festa havia praticamente terminado.
Alguns convidados foram embora em silêncio.
Outros permaneciam nos corredores, tentando entender o que havia acontecido.
Teresa chorava perto das escadas.
Augusto falava ao telefone com alguém que Clara suspeitava ser um advogado.
André segurou a mão dela.
“Onde estão esses documentos?”
“Na minha bolsa.”
Eles subiram até uma sala reservada do hotel.
Clara trancou a porta.
Sua bolsa estava sobre uma cadeira, exatamente onde a havia deixado depois das fotos.
Ela retirou uma pasta grossa de papel pardo.
“Isso chegou hoje de manhã”, explicou.
“O porteiro disse que um mensageiro deixou.
Era de Sérgio Valente.”
André reconheceu o nome.
“O antigo contador da