E quero que Luna tenha segurança, educação e tratamento médico, independentemente do resultado de qualquer exame.
Augusto assentiu.
— Primeiro, precisaremos confirmar o parentesco por meio de um teste de DNA e verificar os documentos de Beatriz.
Depois, iniciaremos a investigação sobre a correspondência interceptada.
O exame foi realizado com autorização legal, e os documentos foram encaminhados ao laboratório.
Dois dias depois, o resultado confirmou o parentesco: Luna era filha biológica de Beatriz Valença e neta de Isadora.
Mas o teste não foi a única descoberta.
Ao revisar os arquivos antigos, Augusto encontrou registros de cartas enviadas por Beatriz ao endereço da família durante anos.
Todas haviam sido recebidas.
Nenhuma chegara às mãos de Isadora.
Os comprovantes de recebimento levavam a um nome inesperado: Henrique Valença, irmão mais novo de Isadora e diretor financeiro do grupo.
Henrique havia informado à família que Beatriz nunca mais entrara em contato.
Também apresentara os documentos que sustentaram a declaração de morte presumida.
Com a ausência da herdeira, ganhara influência sobre a administração das ações que estavam bloqueadas.
Isadora sentiu o estômago se contrair ao perceber que passara oito anos confiando no homem que talvez tivesse impedido sua filha de voltar.
A investigação foi encaminhada às autoridades, e os registros financeiros foram preservados para análise.
Henrique negou as acusações, mas as cartas, os documentos e os depoimentos de antigos funcionários abriram uma investigação sobre a ocultação de correspondência e possíveis irregularidades patrimoniais.
Na semana seguinte, Isadora levou Luna à antiga casa da família.
A menina entrou segurando a caixinha de música com as duas mãos.
Observou os lustres, as escadarias e os retratos pendurados nas paredes, sem demonstrar a admiração que os adultos esperavam.
— Minha mãe morou aqui? — perguntou.
— Sim — respondeu Isadora.
— E eu deveria ter feito muito mais para encontrá-la.
Luna olhou para o retrato de Beatriz, pendurado acima da lareira.
Por um momento, pareceu esquecer o luxo ao redor.
— Ela falava de você.
Dizia que, quando era pequena, você cantava para ela quando nevava.
Isadora se ajoelhou diante da neta.
— Eu cantava.
E gostaria de ter cantado para você também.
— Você vai me mandar embora quando descobrir que eu não sei me comportar como as outras crianças ricas?
A pergunta fez Isadora fechar os olhos por um instante.
— Não, Luna.
Você não precisa aprender a ser rica para merecer ficar aqui.
Só precisa ser uma criança.
E eu preciso aprender a ser sua avó.
Luna não respondeu imediatamente.
Então, estendeu a caixinha de música.
— Você pode me ensinar a cantar a música inteira?
Isadora segurou o objeto e começou a cantar baixinho.
Sua voz falhou na primeira frase, mas continuou.
Miguel sentou-se ao lado das duas, ouvindo a melodia que havia atravessado três gerações.
Naquela noite, a família não celebrou uma herança de bilhões.
Não houve discursos para investidores nem fotografias para revistas de negócios.
Houve apenas uma menina que dormiu numa cama aquecida, um menino que se recusou a deixá-la sozinha e uma mulher que finalmente compreendeu que a fortuna mais importante de sua vida não estava em suas contas bancárias.
A investigação sobre Henrique continuaria.
Os documentos da herança seriam formalizados, e Luna teria advogados independentes para proteger seus interesses.
Isadora também precisaria responder pelas próprias escolhas e pelo tempo