— perguntou.
Ela sorriu.
— Só olhando as flores.
Ele ficou ao lado dela.
Do outro lado do quintal, Marcelo ria de alguma coisa que Júlia havia dito.
Por um instante, Augusto viu o menino de seis anos que corria naquela mesma grama.
Mas não confundiu lembrança com realidade.
O homem que estava ali precisara aprender que amor não dava direito sobre a vida dos pais, que herança não era propriedade antecipada e que desespero não justificava trair quem confiava nele.
Helena segurou a mão do marido.
— Você se lembra do que disse naquela noite quando me encontrou lá fora?
— Lembro.
— Que ele precisava descobrir quem realmente mandava nesta família.
Augusto sorriu de leve.
— Eu estava com muita raiva.
— E descobriu?
Ele olhou para a casa, para os filhos, para o portão que agora se abria com uma senha conhecida apenas por ele e Helena.
— Descobri que ninguém deveria mandar em uma família desse jeito.
Helena apertou sua mão.
Augusto entendeu então que a vitória daquela noite não tinha sido provar quem possuía a escritura.
Tinha sido impedir que medo, dinheiro e expectativa de herança destruíssem completamente aquilo que quarenta anos de vida haviam construído.
A casa continuava deles.
Mas, mais importante, a dignidade também.