O Pai Foi Expulso do Próprio Hotel — Até Sua Filha Fazer Uma Pergunta

colocavam-nos em um vaso e contavam três histórias felizes sobre Helena.

Clara costumava escolher as histórias engraçadas.

Daniel escolhia as que doíam mais.

Naquela noite, porém, tudo que desejava era chegar ao quarto, colocar a filha na cama e deixar os lírios na água antes que murchassem.

— Posso falar com o gerente-geral? — perguntou.

Renata nem tentou esconder o incômodo.

— Ele está ocupado com convidados importantes.

— Eu espero.

— Não vou interrompê-lo por causa de uma reserva que não aparece.

Daniel ficou em silêncio.

Foi nesse momento que uma porta de serviço se abriu perto dos elevadores.

Uma funcionária da governança saiu empurrando um carrinho com toalhas dobradas.

Devia ter perto de sessenta anos.

Havia fios prateados no cabelo preso e uma pequena mancha de água em uma das mangas do uniforme.

Seu nome era Marta.

Ela passou pelo balcão, diminuiu o passo e voltou.

Olhou para Clara.

Olhou para os lírios.

Depois encarou Renata.

— Algum problema?

— Nenhum que seja da governança — respondeu Bianca.

Marta ignorou a provocação.

Daniel explicou a reserva.

Ela franziu a testa.

— Conferiram o bloqueio administrativo secundário?

Renata respondeu com frieza:

— Eu sei fazer meu trabalho.

— Não disse que não sabe.

Mas reservas enviadas pela matriz entram por outra aba quando a autorização vem depois das seis.

Bianca cruzou os braços.

— Marta, volte para o seu andar.

Marta respirou fundo.

— Uma criança está dormindo no colo do pai enquanto ele espera.

Eu só estou tentando ajudar.

Renata virou-se para o computador e abriu outra tela.

Poucos segundos depois, a irritação desapareceu de seu rosto.

Ela aproximou os olhos do monitor.

— Achei.

Daniel não reagiu.

— Suíte 1702.

Reserva confirmada.

Categoria presidencial.

Bianca descruzou os braços.

— Presidencial?

— Sim.

Renata engoliu em seco.

— Senhor Monteiro, parece que houve um… problema de sincronização.

Daniel sabia que o sistema poderia falhar.

Também sabia que o sistema não mandara ninguém sugerir um hotel barato.

— Então podemos subir?

Antes da resposta, Clara abriu os olhos.

Piscou algumas vezes sob a luz do lobby.

— Papai?

— Estou aqui.

Ela olhou para Renata, depois para Bianca.

— A gente fez alguma coisa errada?

— Não.

— Elas estão bravas porque a gente parece pobre?

Daniel sentiu algo apertar no peito.

Renata desviou o olhar.

Marta levou uma mão discretamente à boca.

Nenhuma bronca teria produzido um silêncio como aquele.

Daniel beijou a testa da filha.

— Não, meu amor.

Você não fez nada de errado.

As portas do elevador executivo se abriram.

Quatro homens saíram conversando.

O primeiro deles era Álvaro Menezes, gerente-geral do Imperial Plaza.

Ele caminhou dois passos e congelou ao reconhecer Daniel.

— Senhor Monteiro?

O tom fez Renata erguer a cabeça.

Bianca empalideceu.

Daniel conhecia aquela reação.

Era o instante em que alguém percebia que havia julgado uma pessoa usando a régua errada.

— Boa noite, Álvaro.

O gerente aproximou-se rapidamente.

— Eu não sabia que o senhor já havia chegado.

— Percebi.

— Seu voo estava marcado para mais tarde.

— Houve uma mudança.

Álvaro tentou sorrir.

— Sua suíte está preparada.

Posso acompanhá-lo pessoalmente.

— Antes, preciso de uma resposta.

O gerente franziu a testa.

Daniel apontou suavemente para Clara.

— Minha filha perguntou se fomos tratados dessa forma porque parecemos

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