Voltei do Funeral e Encontrei a Família Dele Roubando Tudo

a senhora a remover documentos.

Renato apontou para a porta.

— Eu vou embora.

— O senhor pode tentar — disse o investigador.

— Mas a equipe no corredor vai precisar verificar os itens que o senhor está levando.

Ele parou.

A perícia fotografou as malas antes de abri-las.

Dentro de uma delas havia joias minhas, documentos bancários, um disco externo e três cadernos azuis.

Na outra, além de objetos de valor, havia um envelope com a etiqueta “Projeto Atlas — protótipos”.

Reconheci o nome.

Projeto Atlas era o sistema que havia transformado a Ferraz Sistemas de uma pequena consultoria numa empresa disputada por prefeituras e fundos de infraestrutura.

Lucas trabalhara anos nele.

Mas havia uma verdade que quase ninguém na família sabia.

Eu também trabalhara.

Antes de me casar com Lucas, eu era pesquisadora em modelagem hidráulica.

O algoritmo inicial de previsão de alagamentos fora desenvolvido por mim e por uma equipe universitária.

Lucas conheceu meu trabalho durante uma parceria técnica.

Anos depois, quando nos apaixonamos, fiz questão de manter minha carreira separada da empresa dele.

Ainda assim, parte da base matemática do Atlas permanecia vinculada a uma licença assinada por mim.

Mirela sabia disso.

Ela tinha participado da negociação original.

— Por que você está levando os protótipos? — perguntei.

— Eu nem sabia que estavam na mala.

— Você estava carregando a mala.

— Alguém colocou.

Renato virou-se para ela.

— Para de falar.

Helena abriu a pasta azul que Mirela havia deixado cair.

Dentro havia cópias de contratos com assinaturas de Lucas.

A perita comparou uma das páginas com um arquivo no tablet.

— A assinatura está digitalizada — disse.

— Parece inserida.

Helena assentiu.

— Lucas suspeitava de contratos paralelos de licenciamento do Atlas.

Empresas de fachada no Uruguai e no Panamá recebiam direitos que a Ferraz Sistemas não poderia transferir sem autorização dos cotitulares.

Eu senti uma náusea lenta.

— Cotitulares?

Helena olhou para mim.

— Você, Sofia.

Celina se moveu de repente.

— Chega dessa farsa.

Ela tentou avançar até o tablet, mas um investigador bloqueou seu caminho.

— Senhora, afaste-se.

— Vocês não entendem.

Lucas estava destruindo tudo o que o pai construiu.

A frase ficou suspensa no ar.

Helena inclinou a cabeça.

— Continue.

Celina percebeu tarde demais que havia falado por impulso.

— Não tenho mais nada a dizer.

Então o tablet emitiu um som.

Um arquivo de áudio havia sido aberto automaticamente pela sequência programada no cartão.

A voz de Lucas encheu a sala.

— Se esta gravação estiver sendo ouvida na presença da minha família, significa que a bússola foi encontrada e devolvida ao lugar certo.

Eu fechei os olhos.

Ouvir a voz dele doeu de um jeito físico.

— Sofia — continuou —, se você está aí, me perdoe por não ter contado tudo.

Eu precisava separar suspeita de prova.

Renato tentou interromper.

— Isso não pode ser admitido como prova assim.

O investigador respondeu:

— A admissibilidade será decidida depois.

Agora estamos preservando material.

Lucas seguiu:

— Descobri que Renato autorizou pagamentos a uma empresa controlada por um sócio oculto.

Mirela exportou documentos do Atlas e negociou acesso sem minha autorização.

Mãe pressionou o conselho para me declarar incapaz de administrar a empresa depois que eu me recusei a assinar a venda.

Celina ficou branca.

—

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