Ele Tentou Tomar Tudo Enquanto Eu Estava no Hospital — Então Surgiu a Assinatura

havia terminado.

— Recebemos também os registros eletrônicos originais do banco — disse ela.

Abriu outra página.

— O pedido não foi enviado diretamente do endereço eletrônico do senhor Vale.

Renato olhou para ela.

Pela primeira vez naquele dia, vi pânico verdadeiro em seus olhos.

— O arquivo foi enviado por um terceiro — Laura continuou.

— Uma pessoa que aparentemente tinha acesso a informações detalhadas sobre a estrutura patrimonial da senhora Torres.

Eu me inclinei para frente.

Renato sabia pouco sobre a estrutura.

Bianca, menos ainda.

Pouquíssimas pessoas conheciam os detalhes.

Laura colocou uma impressão diante de mim.

Reconheci o endereço de e-mail antes de ler o nome completo.

Meu coração pareceu parar.

Pertencia a Marcelo Torres.

Meu irmão.

A sala inteira desapareceu ao meu redor.

Marcelo tinha sido uma das primeiras pessoas a chegar ao hospital naquela manhã.

Tinha levado minha bolsa para casa.

Tinha abraçado Renato no corredor.

Tinha dito que cuidaria de tudo enquanto eu estivesse em cirurgia.

— Isso deve estar errado — falei.

Laura não respondeu imediatamente.

O juiz pediu esclarecimentos.

Os registros mostravam que vários arquivos usados no pedido haviam sido enviados de uma conta antiga de Marcelo.

Alguns documentos continham informações que ele poderia ter obtido anos antes, quando me ajudara a organizar papéis após a morte de nossa mãe.

Renato abaixou a cabeça.

— Você conhece essa pessoa? — perguntou o juiz.

Demorei a responder.

— É meu irmão.

Ninguém se mexeu.

Até Bianca parou de chorar.

A audiência foi suspensa para que os documentos fossem preservados e analisados adequadamente.

No corredor, fui direto até Renato.

— O que Marcelo tem a ver com isso?

Ele não respondeu.

— Olhe para mim.

Renato levantou os olhos.

— Ele precisava de dinheiro.

Minha voz saiu quase sem som.

— Para quê?

— Dívidas.

— Que dívidas?

Renato passou a mão pelo rosto.

— Investimentos ruins.

Empréstimos.

Ele estava desesperado.

As peças começaram a se encaixar de maneira terrível.

Dois anos antes, Marcelo havia me pedido dinheiro para expandir um negócio.

Eu recusara depois de descobrir que suas projeções financeiras eram irreais.

Ele ficou ofendido, mas aparentemente aceitou.

Renato, porém, continuou conversando com ele.

Segundo o que descobrimos nas semanas seguintes, os dois criaram uma espécie de parceria secreta.

Marcelo fornecia informações sobre minha herança e meus documentos antigos.

Renato prometia ajudá-lo financeiramente quando conseguisse obter crédito sobre a casa.

Inicialmente, Renato aparentemente acreditava que conseguiria me convencer a assinar alguma garantia.

Quando percebeu que eu jamais concordaria, o plano mudou.

Minha internação ofereceu uma oportunidade.

Marcelo tinha acesso à minha bolsa e a cópias antigas de documentos.

Renato tinha contato com Bianca, que aceitou assinar como testemunha sem compreender completamente o que estava confirmando.

Isso não a inocentava automaticamente, mas explicava o choque dela.

A tentativa de empréstimo fracassou porque a documentação da propriedade não correspondia às afirmações apresentadas.

Então Renato entrou em pânico.

Poucos dias depois, decidiu acelerar o divórcio e tentar obter, por acordo, aquilo que não conseguira alcançar pelo banco.

Quando descobri tudo, não senti a satisfação que havia imaginado sentir ao vê-lo exposto.

Senti luto.

Perdi um marido que já não reconhecia.

E descobri que meu próprio irmão havia participado da tentativa de usar meu patrimônio pelas costas.

O processo de divórcio continuou por meses.

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