antes das dezenove e vinte, Elisa chegou ao centro cultural acompanhada por uma professora.
Eu estava esperando perto da sala dos formandos.
Quando me viu segurando a beca consertada, seus olhos se encheram de lágrimas.
— Pai, você conseguiu.
— Nós conseguimos.
Dei um passo para o lado.
Teresa estava atrás de mim.
Por um momento, nenhuma das duas se moveu.
Minha filha olhou para a mulher de cabelos grisalhos, reconhecendo primeiro o rosto e depois a maleta azul.
— Vovó Teresa?
A costureira tentou sorrir.
— Oi, minha pequena.
Elisa levou as mãos à boca.
— Eu achei que a senhora não gostasse mais de mim.
Teresa abriu os braços.
Minha filha atravessou a sala e se lançou naquele abraço.
Não houve palavras durante algum tempo.
Elisa chorou com o rosto apoiado no ombro da avó.
Teresa acariciou seus cabelos como fazia quando ela era criança.
— Eu nunca deixei de amar você — repetiu várias vezes.
Quando finalmente se afastaram, minha filha perguntou por que a avó havia desaparecido.
Teresa olhou para mim.
Eu poderia ter mostrado imediatamente a carta e explicado toda a suspeita.
Mas Elisa já estava sobrecarregada.
— Existem coisas que precisamos esclarecer — respondi.
— Vamos conversar sobre tudo com calma depois da cerimônia.
Por enquanto, quero que você saiba que sua avó veio porque queria estar aqui.
Teresa concordou.
— Eu teria vindo a todas as suas apresentações se soubesse que era bem-vinda.
Elisa segurou as mãos dela.
— Sempre foi, vovó.
A costureira respirou fundo e mostrou a beca.
Havia ajustado a barra, reforçado as costuras e encontrado uma maneira de reparar o capelo.
No lado interno da gola, costurara um pequeno pedaço de tecido amarelo que trazia dentro da maleta.
— É de um avental antigo — explicou.
— Aquele que você usava quando me ajudava a cortar moldes.
Elisa reconheceu o tecido imediatamente.
— A senhora guardou?
— Guardei muita coisa sua.
Minha filha vestiu a beca.
O ajuste ficou perfeito.
Quando se observou no espelho, sua expressão começou a mudar.
Não parecia uma jovem tentando esconder o que havia sofrido.
Parecia alguém recuperando o direito de estar presente.
— Está pronta? — perguntei.
Ela ergueu o queixo.
— Estou.
O auditório estava completamente cheio.
Centenas de familiares ocupavam as fileiras, conversando, fotografando e procurando seus formandos.
Beatriz estava sentada perto do corredor central, usando um vestido verde-escuro e conversando animadamente com duas amigas.
Seu comportamento me impressionou.
Apenas uma hora antes, ela havia destruído a roupa da própria filha.
Agora sorria para conhecidos como se tivesse sido uma tarde comum.
Conduzi Teresa até um assento reservado na primeira fila, próximo à passagem para o palco.
Antes de nos sentarmos, percebi Beatriz olhando em nossa direção.
Primeiro, ela me reconheceu.
Depois viu Teresa.
A mudança em seu rosto foi imediata.
O sorriso desapareceu.
Ela se endireitou na cadeira e apertou a pequena bolsa que segurava no colo.
Teresa não desviou o olhar.
Apenas se sentou ao meu lado.
A cerimônia começou com a entrada dos formandos.
Beatriz procurou Elisa entre os estudantes.
Quando minha filha surgiu usando a beca azul-escura, minha ex-mulher pareceu perder completamente o fôlego.
Ela inclinou o corpo para a frente, tentando compreender o que via.
Sua tesoura não havia impedido a formatura.
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