Minha Irmã Exigiu a Proprietária e Descobriu Meu Segredo

conversando apressadamente com um assistente.

Ele segurava uma pasta preta e olhava para nós com evidente preocupação.

Eu me lembrei de uma conversa que tivera com Janaína duas semanas antes.

A diretora havia comentado que a equipe organizadora insistira em substituir o sistema de doações do instituto por um prestador externo.

A mudança fora recusada pelo financeiro, mas os organizadores tinham autorização para contratar fornecedores de decoração e comunicação.

Na época, imaginei que fosse apenas mais uma divergência entre equipes.

Agora, com o celular de Nádia diante de mim, percebi que precisávamos examinar tudo com muito mais cuidado.

Às 20h41, pedi a Janaína que nos levasse a uma sala de reuniões nos fundos do salão.

Roberto veio conosco.

Também se juntou ao grupo Mirela Castro, responsável pela conformidade financeira do instituto.

Mirela já estava analisando os documentos que a equipe conseguira reunir.

— O fornecedor do evento é a Luar Produções — explicou.

— Existe uma proposta comercial de R$ 540 mil assinada pela comissão de organização.

Mas o contrato não foi aprovado pelo conselho da entidade.

— Quem assinou? — perguntei.

Ela virou a tela do notebook.

Na proposta havia uma assinatura eletrônica atribuída a Verônica Seixas.

O documento dizia que a Luar seria responsável por serviços de produção, divulgação e captação de patrocínios.

Também incluía uma cláusula prevendo que valores arrecadados pelos canais operados pela empresa poderiam ser utilizados para compensar seus custos.

— O conselho nunca autorizou uma compensação desse tipo — disse Roberto.

Mirela concordou.

— Nem a substituição da conta oficial do instituto pela conta de um fornecedor.

Precisamos preservar os documentos e apurar se houve desvio de recursos.

Eu olhei para os arquivos.

A empresa era do marido de Verônica.

A proposta tinha a assinatura dela.

Os códigos de pagamento haviam sido substituídos sem autorização da equipe financeira.

Não era prova suficiente para declarar todos culpados de um crime, mas era mais do que suficiente para interromper aquele procedimento imediatamente.

— Precisamos avisar os convidados antes que o leilão comece — falei.

Roberto concordou.

— Eu vou fazer o comunicado.

Mas, quando abrimos a porta, ouvimos Verônica ao microfone.

— Senhoras e senhores, hoje temos a oportunidade de transformar vidas! — ela anunciava, sorrindo para os fotógrafos.

— E quero agradecer especialmente à minha família, que sempre acreditou no poder da generosidade.

Minha mãe estava ao lado do palco, emocionada com os aplausos.

Otávio permanecia perto da mesa de controle de som.

Verônica ergueu um cartão de doação.

— Em cada mesa vocês encontrarão um código para contribuir.

Quanto maior a participação de todos, maior será a nossa capacidade de ajudar!

Roberto começou a subir os degraus, mas eu toquei seu braço.

— Deixe que eu vá com você.

Eles já tentaram transformar isso numa disputa pessoal.

Precisamos mostrar que a decisão é institucional.

Subimos juntos.

O mestre de cerimônias nos viu, hesitou e entregou o microfone a Roberto.

— Boa noite — disse ele, com voz firme.

— Antes de continuar, precisamos fazer uma orientação importante.

Os códigos de pagamento distribuídos anteriormente estão suspensos para verificação.

Pedimos que ninguém efetue transferências por eles.

A equipe do instituto apresentará um canal oficial confirmado.

O murmúrio começou imediatamente.

Uma mulher perto da primeira mesa ergueu a mão.

— Eu fiz uma doação de dez mil

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *