reais há poucos minutos.
Para onde foi meu dinheiro?
Roberto respondeu que a equipe recolheria os comprovantes, verificaria os destinatários e orientaria os doadores individualmente.
Verônica avançou em nossa direção.
— Isso é um absurdo! Minha irmã chegou aqui sem ser convidada e agora está sabotando uma instituição séria!
O salão inteiro ficou em silêncio.
Peguei o segundo microfone.
— Meu nome é Elisa Moura.
Sou proprietária da Casa das Marés e uma das financiadoras desta campanha.
Quero deixar claro que ninguém está questionando a generosidade dos presentes.
Estamos verificando uma inconsistência no destino dos pagamentos para que cada contribuição chegue à instituição correta.
Verônica tentou me interromper.
— Ela quer aparecer!
Eu não levantei a voz.
— Verônica, este não é o momento de discutir nossa família.
Há dinheiro de doadores envolvidos.
A diferença entre nossas posturas começou a produzir um efeito que nenhuma discussão poderia ter conseguido.
As pessoas deixaram de observar nossos vestidos e passaram a prestar atenção nos documentos, nos comprovantes e na explicação de Roberto.
Um empresário perguntou qual era o CNPJ do destinatário correto.
Uma médica quis saber se os pagamentos feitos seriam ressarcidos caso houvesse irregularidade.
Dois patrocinadores ofereceram suas equipes jurídicas para auxiliar na identificação das transferências.
Ninguém estava interessado na festa perfeita que Verônica pretendia exibir.
Queriam saber a verdade.
Otávio tentou sair pela porta lateral, mas foi interceptado pelo próprio Roberto, que pediu uma conversa antes de qualquer outra atividade relacionada ao evento.
Não houve violência nem impedimento físico.
Ele poderia ir embora.
Mas a ausência de explicações seria registrada.
Otávio decidiu acompanhá-lo até a sala reservada.
Fui junto com Janaína e Mirela.
Verônica entrou logo atrás, seguida por minha mãe.
— Isso já passou dos limites — declarou Célia.
— Vocês vão destruir a vida da minha filha por causa de uma confusão de pagamentos?
Mirela abriu o notebook.
— Precisamos apenas de respostas e documentos.
Senhor Otávio, a Luar está autorizada a receber contribuições em nome do Instituto Travessia?
Ele ajeitou a gravata.
— A empresa presta serviços de captação.
Isso é comum no mercado.
— Existe uma deliberação formal do conselho autorizando o recebimento das doações nessa conta?
Ele ficou em silêncio.
— O contrato foi preparado pela equipe de Verônica — respondeu, por fim.
— Não acompanho os detalhes internos do instituto.
— O senhor é sócio da empresa beneficiária — observou Mirela.
— E isso não é ilegal por si só.
— Não estamos afirmando que seja.
Estamos perguntando por que a conta da empresa foi apresentada aos convidados como canal de doações da instituição sem a aprovação dos responsáveis financeiros.
Otávio olhou para Verônica.
Ela desviou os olhos.
Aquele pequeno movimento disse mais do que todas as acusações que eu poderia ter feito.
Roberto colocou a proposta comercial sobre a mesa.
— Verônica, você assinou este documento?
— Assinei uma proposta de serviços.
Nada além disso.
— O texto permite que a empresa receba as contribuições e desconte despesas antes do repasse.
Você submeteu isso ao conselho?
— Eu ia regularizar tudo depois do evento.
Minha mãe soltou um suspiro de alívio, como se aquela resposta resolvesse o problema.
Mirela, porém, continuou.
— As regras de prestação de contas existem justamente para impedir que os recursos sejam movimentados antes da autorização.
Não podemos tratar