coisa acontecer de novo.”
Helena refletiu alguns segundos.
Então sorriu.
“Então é tipo colocar uma cerca?”
“É.
Uma cerca com portão.”
Ela me abraçou e voltou para o quarto.
Fiquei ali sozinha por alguns minutos.
Pensei naquela noite fria na serra, nos colchões jogados no chão, na vergonha no rosto dos meus filhos e na maneira como saí da casa acreditando que estava apenas procurando um lugar melhor para dormir.
Na verdade, eu estava fazendo algo muito maior.
Eu estava ensinando meus filhos — e finalmente ensinando a mim mesma — que amor sem respeito não pode exigir acesso ilimitado.
E que, às vezes, a decisão que parece destruir uma família é justamente aquela que impede que seus piores hábitos continuem sendo chamados de amor.