Ele Tentou Roubar Nossa Filha — Até Eu Mandar Chamarem Meu Pai

Minha filha tinha quarenta e sete minutos de vida quando o homem que prometera me proteger entrou no meu quarto de hospital para dizer que ela nunca seria minha.

Eu estava exausta demais até para compreender a frase de imediato.

Elisa dormia sobre meu peito, envolvida em uma manta branca com uma pequena faixa rosa em volta da cabeça.

O quarto cheirava a álcool, sabonete hospitalar e ao café frio que uma enfermeira havia deixado sobre a bancada.

Do lado de fora, uma chuva fina riscava as janelas do oitavo andar.

Cada movimento fazia meus pontos arderem.

Meus braços estavam pesados, mas eu me recusava a soltar minha filha.

Durante nove meses, eu imaginara aquele momento em centenas de versões.

Marcelo emocionado ao meu lado.

Nós dois discutindo de quem era o nariz dela.

Minha sogra entrando com flores.

Fotos embaraçosas.

Risos cansados.

Nada me preparara para o que realmente aconteceu.

A porta se abriu sem que ninguém batesse.

Marcelo entrou primeiro.

Usava um terno azul-escuro impecável, sapatos brilhando e o relógio de ouro que reservara para reuniões importantes.

Parecia ter saído de uma apresentação para investidores, não de uma sala de espera de maternidade.

Segurando sua mão estava Bianca Prado.

Eu a conhecia superficialmente.

Ela frequentava alguns eventos da empresa de Marcelo e fora apresentada a mim, mais de uma vez, como amiga antiga da família.

Tinha cabelos castanhos cuidadosamente ondulados e usava um conjunto bege elegante demais para um hospital.

Atrás dos dois apareceu Regina, minha sogra.

Ela sorria.

Não era o sorriso emocionado de uma avó que acabara de conhecer a neta.

Era um sorriso de vitória.

Bianca parou ao lado da cama e olhou diretamente para Elisa.

— Ela tem os olhos do Marcelo — disse.

A frase era estranha por si só, mas foi a familiaridade com que ela pronunciou o nome da minha filha que me incomodou.

— Como você sabe o nome dela? — perguntei.

Bianca não respondeu.

Regina colocou a bolsa sobre a poltrona.

— Helena, não torne isso mais difícil do que precisa ser.

Minha pele esfriou.

— Tornar o quê difícil?

Marcelo finalmente soltou a mão de Bianca e estendeu os braços.

— Me dê a Elisa.

Apertei minha filha contra o peito por reflexo.

— Não.

Seu maxilar se contraiu.

— Você está cansada.

Não comece.

— Começar o quê? Quem permitiu que ela entrasse aqui?

Apontei para Bianca.

Regina soltou um suspiro.

— Sua parte terminou, Helena.

Eu a encarei.

— Minha parte?

— Você gerou uma criança saudável — respondeu ela, com uma calma quase administrativa.

— Era exatamente o que a família precisava.

Meu coração começou a acelerar.

Marcelo deu um passo adiante.

— Não faça cena.

— Vocês estão falando da minha filha.

Bianca se aproximou do outro lado da cama.

— Nossa filha.

A palavra ficou suspensa no quarto.

Por alguns segundos, todos os sons pareceram desaparecer.

A chuva contra a janela.

O aparelho ao lado da cama.

O carrinho sendo empurrado no corredor.

— O que você disse?

Bianca engoliu em seco, mas Marcelo respondeu por ela.

— Você ouviu.

Então tirou uma pasta de couro preta debaixo do braço.

— Você assinou um acordo de gestação.

Bianca e eu somos os pais legais da criança.

Meu primeiro impulso foi rir, porque a

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