Ele Tentou Roubar Nossa Filha — Até Eu Mandar Chamarem Meu Pai

O que é isso?

Ela respirou fundo.

— Algo que eu devia ter entregue a você anos atrás.

Marcelo avançou.

— Não comece.

Meu pai se colocou entre eles.

— Não chegue perto dela.

Marina abriu o envelope.

Dentro havia cópias de e-mails, comprovantes bancários e uma fotografia antiga.

— Uma semana antes do casamento de vocês, Marcelo me procurou — disse ela.

— Ele sabia que eu trabalhava temporariamente no escritório de contabilidade que atendia uma empresa ligada ao seu pai.

Olhei para Marcelo.

— Por quê?

— Ele queria confirmar se você teria acesso a um fundo familiar depois de se casar.

Meu estômago se contraiu.

— Fundo?

Meu pai respondeu.

— Sua mãe deixou uma estrutura patrimonial para você.

O acesso pleno só aconteceria aos trinta anos ou em algumas circunstâncias específicas.

Eu sabia da herança, mas nunca discutira valores com Marcelo.

Marina continuou.

— Quando percebeu que o dinheiro não ficaria automaticamente disponível pelo casamento, ele mudou de estratégia.

Bianca deu um passo atrás.

— Que estratégia?

Marina tirou um comprovante bancário do envelope.

— Criar uma empresa intermediária usando dados de Helena.

Marcelo ficou pálido.

Eu senti o ar desaparecer dos meus pulmões.

— O quê?

Laura pegou o documento.

— Esta empresa recebeu dinheiro de três contratos fechados pela companhia de Marcelo.

— Eu nunca abri empresa nenhuma.

— Sabemos — disse meu pai.

Marcelo tentou rir.

— Isso não prova nada.

Marina olhou para ele.

— Tenho os e-mails em que você me pediu cópias antigas da assinatura dela.

Bianca levou a mão à boca.

Regina fechou os olhos.

Então tudo começou a fazer sentido.

Os documentos que Marcelo me dava para assinar durante o casamento.

Autorizações supostamente bancárias.

Alterações administrativas.

A insistência para que eu não me preocupasse com burocracia.

O contrato falso da gestação não era uma fraude isolada.

Era apenas a fraude mais cruel.

Laura passou quase uma hora organizando o que seria entregue à polícia.

A equipe do hospital preservou as câmeras do corredor e registrou formalmente que Marcelo tentara retirar Elisa apesar da minha oposição.

Quando dois policiais chegaram, Marcelo finalmente perdeu o controle.

— Isso é ridículo! Ela é minha esposa!

— Exatamente — disse Laura.

— O que torna certos documentos ainda mais interessantes.

Ele apontou para mim.

— Você vai destruir tudo por vingança?

Eu olhei para Elisa dormindo ao meu lado.

— Você tentou tirar minha filha de mim minutos depois do parto.

— Eu sou o pai dela.

— Então deveria ter agido como um.

Bianca começou a chorar silenciosamente perto da janela.

Eu não sentia pena ainda.

Mas percebia que ela também descobria partes do plano naquele momento.

— Você disse que Helena sabia — falou para Marcelo.

— Não faça isso aqui.

— Você disse que ela queria dinheiro e depois iria embora.

Regina virou-se para Bianca.

— Pare de falar.

— Não.

Eu quero saber.

Bianca olhou para mim.

— Ele me disse que vocês estavam separados havia meses.

Disse que o casamento era apenas formal por causa da gravidez.

— Dormíamos na mesma cama até três semanas atrás — respondi.

Ela fechou os olhos.

Marcelo explodiu.

— Chega!

Um policial pediu que ele baixasse a voz.

Foi então que Bianca fez algo que ninguém esperava.

Pegou o próprio celular.

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