Ele Tentou Roubar Nossa Filha — Até Eu Mandar Chamarem Meu Pai

— Tenho mensagens.

Marcelo ficou imóvel.

— Bianca.

— Mensagens suas.

Áudios.

Você falando do contrato.

Falando da conta.

Regina avançou.

— Não entregue nada sem advogado.

Bianca recuou.

— Vocês me fizeram acreditar que essa mulher estava vendendo o próprio bebê.

— Você acreditou porque quis — disse Regina.

Bianca a encarou.

— Talvez.

Mas eu não vou para a cadeia por vocês.

A entrega voluntária do celular mudou tudo.

Nas semanas seguintes, a investigação encontrou uma sequência de fraudes muito maior do que eu imaginava.

A suposta conta que recebera o pagamento da gestação estava ligada a uma empresa aberta com cópias dos meus documentos.

O dinheiro circulava entre empresas usadas por Marcelo para esconder dívidas e inflar receitas.

O tabelião citado no contrato não tinha reconhecido minha assinatura.

O selo era adulterado.

A testemunha admitiu que recebera dinheiro para assinar páginas sem saber exatamente para que seriam usadas.

Mais importante: não existia qualquer processo válido de reprodução assistida envolvendo Bianca.

Elisa era biologicamente minha filha e de Marcelo, concebida durante nosso casamento.

Nenhum documento poderia simplesmente apagar isso.

A tentativa de me transformar retroativamente em gestante substituta era tão mal construída juridicamente quanto cruel emocionalmente.

Marcelo fora confiante porque acreditava que eu estaria vulnerável demais para reagir.

Ele acertou sobre minha vulnerabilidade.

Errou sobre minha capacidade de pensar.

Três meses depois, sentei-me numa sala silenciosa durante uma audiência relacionada às medidas de proteção e ao divórcio.

Marcelo parecia diferente.

Sem o terno caro, sem a empresa funcionando normalmente e sem a mãe falando por ele, parecia menor.

Seus advogados tentaram separar a disputa empresarial da questão familiar, mas as mensagens de Bianca mostravam intenção clara de me intimidar e retirar Elisa do hospital.

A guarda provisória exclusiva permaneceu comigo enquanto o caso criminal seguia.

O contato de Marcelo com a filha passou a ocorrer sob condições determinadas judicialmente.

Regina, que durante anos me tratara como alguém grata por ter entrado na família dela, evitava olhar para mim.

Depois da audiência, ela me alcançou no corredor.

— Helena.

Parei.

Meu pai estava alguns metros atrás, segurando Elisa no colo com uma falta de jeito quase cômica.

— O que foi?

Regina apertou a bolsa contra o corpo.

— Eu queria que você soubesse que nunca imaginei que chegaria a esse ponto.

— Em que ponto você imaginou que chegaria?

Ela ficou em silêncio.

— Porque você entrou naquele quarto sorrindo — continuei.

— Você sabia que eu perderia o apartamento.

Sabia dos cartões.

Sabia do documento.

Sabia que ele pretendia levar minha filha.

— Eu queria proteger meu filho.

— E para isso estava disposta a destruir a mãe da sua neta.

Ela desviou os olhos.

— Ele estava desesperado.

A empresa estava cheia de dívidas.

— Então era por dinheiro?

— No começo.

A resposta me atingiu.

— No começo?

Regina fechou os olhos.

— Marcelo descobriu sua ligação com Antônio antes do casamento.

Não tudo.

Apenas o suficiente para saber que havia patrimônio.

Eu pensei no envelope de Marina.

— E quando percebeu que não teria acesso?

— Ficou ressentido.

Depois vieram os problemas da empresa.

Quando você engravidou, ele começou a dizer que pelo menos teria um vínculo permanente com uma família poderosa.

— Então Elisa era um investimento para ele.

Regina não respondeu.

Eu

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