semelhantes.
— Você quer dizer dinheiro semelhante.
Rafael engasgou com uma risada que tentou disfarçar.
Beatriz não achou graça.
A partir dali, a resistência se tornou guerra silenciosa.
Havia festas para as quais Helena não recebia convite.
Jantares em que Beatriz a colocava ao lado de pessoas que perguntavam repetidamente em qual universidade particular ela estudara.
Comentários sobre bolsas, sapatos e bairros surgiam como pequenas agulhas cuidadosamente escondidas em frases educadas.
Certa noite, depois de um jantar especialmente desagradável, Rafael entrou no carro e ficou alguns segundos olhando para o volante.
— Eu devia ter parado aquilo mais cedo.
— Você tentou.
— Não o suficiente.
Ele virou para Helena.
— Se ela fizer você se sentir indesejada outra vez, vamos embora.
Não me importa onde estivermos.
Helena apertou a mão dele.
Foi uma das razões pelas quais ela continuou tentando.
Quando começaram a planejar o casamento, Beatriz imaginou que finalmente teria controle.
Ela enviou uma lista de salões antes mesmo de Helena escolher a data.
Depois vieram fotógrafos, músicos, menus e quase trezentos nomes de convidados.
Helena devolveu a lista.
— Rafael e eu queremos algo menor.
Beatriz franziu a testa.
— Quanto menor?
— Oitenta pessoas.
— Oitenta?
— Pessoas que conhecemos e amamos.
Beatriz pousou a caneta.
— Um casamento Albuquerque não é uma reunião de aniversário.
— Ainda bem que é o nosso casamento, então.
O silêncio que se seguiu durou semanas.
Helena e Rafael escolheram um casarão antigo restaurado nos arredores da cidade.
O lugar tinha paredes claras, árvores enormes e um jardim comprido onde a cerimônia aconteceria no fim da tarde.
Era elegante sem parecer uma vitrine.
Beatriz chamou de provinciano.
Depois, de forma inesperada, três semanas antes da data, ela pediu desculpas.
Convidou Helena para um café.
— Fui injusta com você — disse.
Helena quase olhou em volta para verificar se havia alguém filmando.
— Isso é uma surpresa.
Beatriz abaixou os olhos.
— Meu filho está feliz.
Eu deveria ter entendido isso antes.
A voz parecia sincera.
Ou pelo menos suficientemente sincera para enganar alguém que queria desesperadamente uma trégua.
Rafael ficou emocionado quando soube.
— Talvez ela tenha entendido finalmente.
Helena queria acreditar.
Por isso, dois dias antes da cerimônia, quando houve um problema com o transporte do vestido, aceitou a oferta de Beatriz para acompanhar a entrega ao casarão.
A peça ficaria guardada em um depósito interno e seria levada à suíte nupcial pela manhã.
Helena jamais imaginou que aquela pequena concessão acabaria levando a uma fantasia de palhaça.
Agora, seis horas antes de dizer sim, ela estava diante do espelho usando um robe, enquanto Camila caminhava de um lado para o outro com o telefone.
— Temos que ligar para a polícia.
— Primeiro para o gerente.
— Roubaram um vestido de quase dez mil reais.
— Eu sei.
— E você está calma demais.
— Não estou calma.
Helena levantou a mão.
Seus dedos tremiam.
— Só não vou dar a ela a reação que veio buscar.
Augusto, gerente do casarão, chegou vinte minutos depois.
Ele inspecionou a fechadura do depósito e confirmou que não havia sinal de arrombamento.
— Quem tinha acesso?
— Eu, dois supervisores e qualquer pessoa acompanhada pela equipe durante as entregas.
Helena cruzou os braços.
— Há câmeras?
Augusto pensou.
— Não