dentro do depósito.
Mas há uma no corredor de serviço.
Camila quase sorriu.
— Perfeito.
— Vou acessar as imagens.
Quando Augusto saiu, Helena olhou novamente para a fantasia.
Foi então que teve a ideia.
— Chame a maquiadora.
Camila parou.
— Encontramos outro vestido?
— Não.
Helena segurou a fantasia diante do corpo.
— Vou usar este.
Camila ficou em silêncio.
— Você está falando sério.
— Completamente.
— Rafael vai ter um ataque.
— Rafael vai entender.
— E os convidados?
— Também vão entender quando chegar a hora.
Helena não pretendia transformar o casamento numa piada.
Pelo contrário.
Pediu à maquiadora uma produção clássica.
O cabelo foi preso num coque baixo.
A maquiagem permaneceu delicada.
Nenhuma pintura exagerada, nenhum nariz vermelho.
Apenas a fantasia.
Quando ela se viu pronta, o efeito era absurdo e, ao mesmo tempo, estranhamente poderoso.
Ela parecia uma noiva que se recusara a ser humilhada.
Às quatro da tarde, oitenta convidados estavam sentados no jardim.
Rafael esperava sob uma estrutura coberta por folhas verdes e pequenas flores brancas.
Beatriz estava na primeira fila usando azul-marinho.
Parecia tranquila.
Até a música começar.
As pessoas se viraram.
Helena apareceu no início do corredor.
Os murmúrios começaram quase imediatamente.
Rafael arregalou os olhos.
Camila, atrás dela, manteve a expressão séria.
Helena caminhou devagar.
Cada passo fazia o tecido exagerado balançar.
Ela viu rostos confusos.
Uma tia levando a mão à boca.
Um primo tentando entender se aquilo fazia parte de alguma brincadeira planejada.
Mas Helena observava apenas Beatriz.
A futura sogra perdera completamente o sorriso.
Quando Helena chegou à primeira fileira, parou.
Tirou do bolso o nariz vermelho.
Estendeu-o para Beatriz.
— Obrigada pelo presente.
O jardim silenciou.
Beatriz ficou rígida.
— Não sei do que você está falando.
— Pensei que gostaria de ficar com a parte mais importante.
— Isso é ridículo.
Helena inclinou a cabeça.
— Concordo.
Rafael desceu um degrau.
— Helena, o que aconteceu?
Ela finalmente olhou para ele.
— Meu vestido desapareceu esta noite.
Isso estava na capa.
O rosto dele mudou.
Primeiro confusão.
Depois raiva.
Ele olhou imediatamente para a mãe.
— Mãe?
— Por que está olhando para mim?
Helena tomou uma decisão rápida.
— Talvez porque a câmera do corredor já tenha respondido essa pergunta.
Era um blefe.
Augusto ainda não tinha enviado nada.
Mas Beatriz apertou a bolsa contra o corpo.
Helena percebeu.
Camila também.
Rafael deu mais um passo.
— Que câmera?
Beatriz levantou-se.
— Não vou participar desse espetáculo.
— Ninguém acusou você diretamente — Helena respondeu.
Beatriz ficou imóvel.
A armadilha estava fechada.
— Então por que está indo embora?
Antes que ela respondesse, o telefone de Camila vibrou.
Era Augusto.
Ela atendeu no viva-voz.
— Achei a gravação.
Helena prendeu a respiração.
— E?
— Dona Beatriz aparece no corredor às onze e quarenta e seis da noite.
Um ruído percorreu as cadeiras.
Rafael ficou pálido.
Beatriz ergueu o queixo.
— Eu estava verificando a entrega, como havia prometido.
Augusto continuou:
— Ela estava acompanhada de um motorista da equipe das flores.
O homem sai carregando uma caixa grande.
— Meu vestido — Helena murmurou.
— Provavelmente.
Beatriz pegou a bolsa.
— Isso não prova nada.
— Tem mais — disse Augusto.
Todos esperaram.
— Vinte minutos depois, a câmera do estacionamento