Ela Mandou Revistar a Cunhada Grávida — Até as Câmeras Revelarem o Plano

O grito de Helena atravessou o salão de festas como vidro quebrando.

— Meu colar!

A banda parou no meio de uma música.

Conversas morreram.

Talheres permaneceram suspensos sobre pratos.

Sob três lustres de cristal, quase duzentas pessoas se viraram para a noiva, que estava parada perto da mesa principal com uma das mãos sobre o pescoço nu.

— Meu colar de diamantes desapareceu.

Marina Albuquerque sentiu o bebê se mexer dentro dela.

Estava com trinta e quatro semanas de gravidez e passara as duas últimas horas tentando ignorar o inchaço nos pés, o calor do salão e os comentários que a irmã de seu marido fazia sempre que encontrava oportunidade.

Helena não demorou a encontrar uma culpada.

Ergueu o braço e apontou diretamente para Marina.

— Revistem ela.

O silêncio que se seguiu foi mais humilhante do que qualquer grito.

Marina olhou para Rafael, seu marido.

Ele estava ao lado do pai, segurando uma taça de vinho.

Em vez de caminhar até ela, desviou os olhos.

Naquele instante, Marina soube que algo estava prestes a terminar.

Helena atravessou o salão.

O vestido de noiva brilhava sob as luzes, coberto de pequenas pedras bordadas.

Ela parecia menos uma mulher desesperada para encontrar uma joia e mais alguém que finalmente recebera a oportunidade que esperava.

— Você estava perto da mesa quando eu tirei o colar — disse.

— Eu passei perto da mesa, como metade dos convidados.

— Você sempre tem uma explicação.

Marina manteve uma mão sobre a barriga.

— Eu não peguei nada.

Teresa, mãe de Helena e Rafael, surgiu ao lado da filha.

— Então não haverá problema em verificar.

Marina conhecia aquele tom.

Durante três anos de casamento, Teresa aprendera a humilhá-la sem jamais usar palavras que pudessem ser facilmente repetidas depois.

Falava sobre classe, criação, etiqueta e pessoas que não sabiam se comportar em determinados ambientes.

Helena era menos cuidadosa.

Chamava Marina de encostada.

Dizia que ela comprava roupas em liquidação porque não tinha dinheiro.

Em um almoço de Natal, comentara na frente de doze pessoas que Rafael provavelmente se apaixonara por ela por algum tipo de complexo de salvador.

Rafael sempre pedia paciência.

— Elas vão acostumar com você.

— Minha mãe é difícil com todo mundo.

— Helena fala sem pensar.

Marina acreditara nele durante tempo demais.

Na recepção, ela voltou a procurá-lo com os olhos.

— Rafael.

Ele finalmente se aproximou alguns passos.

— Marina, se você não pegou, deixa olharem.

A gente esclarece isso e segue a noite.

Ela o encarou.

— Você acredita que eu roubei o colar da sua irmã?

— Eu não disse isso.

— Então diga que eles não vão me revistar.

Ele apertou a mandíbula.

— Não transforma isso numa coisa maior.

Foi a frase errada.

Teresa estendeu a mão para a bolsa de Marina.

— Me dê isso.

— Não.

— Pessoas inocentes não escondem nada.

Antes que Marina pudesse recuar, Helena arrancou a bolsa de seu braço e despejou o conteúdo sobre uma mesa lateral.

Uma carteira caiu primeiro.

Depois as chaves de casa, protetor labial, comprimidos de ferro, um pacote de lenços, dois recibos, um envelope com fotografias do ultrassom e um cartão preto fosco.

Helena pegou o cartão entre dois dedos.

— Que cartão é esse?

— Não é da sua conta.

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