Ela Mandou Revistar a Cunhada Grávida — Até as Câmeras Revelarem o Plano

uma noite.

Ela começou a contar.

— Estou terminando por causa do Natal em que sua irmã disse que eu parecia funcionária da casa e você riu para evitar clima ruim.

Pelo aniversário da sua mãe em que ela me colocou numa mesa separada dos familiares e você disse que os lugares já estavam marcados.

Pelo jantar em que Helena perguntou se eu tinha engravidado para garantir pensão e você pediu que eu ignorasse.

Rafael ficou imóvel.

— E estou terminando porque hoje, quando alguém me acusou de ser criminosa, você olhou para mim como se a possibilidade merecesse consideração.

Ela retirou a aliança.

O salão inteiro parecia observar.

Marina colocou o anel sobre a mesa ao lado da caixa de veludo de Helena.

— Depois não existe mais.

Rafael fechou os olhos.

Helena tentou se aproximar do irmão.

— Rafa…

Ele se afastou dela.

— Você armou isso?

— Eu queria que você enxergasse quem ela era.

Ele soltou uma risada amarga.

— E acabou me mostrando quem você é.

Pela primeira vez, Helena não encontrou resposta.

Eduardo, porém, parecia cada vez mais inquieto.

Augusto percebeu.

— César.

O advogado pegou a pasta que carregava.

— Há um motivo adicional para o senhor Eduardo ter aceitado participar desse plano.

Arnaldo franziu a testa.

— Que motivo?

César abriu a pasta.

— A equipe de auditoria do Grupo Albuquerque recebeu ontem uma denúncia relacionada à empresa de logística da família Vasconcelos.

Rafael empalideceu.

Marina percebeu imediatamente.

— Por que você está assim?

Ele não respondeu.

César continuou.

— O Grupo Albuquerque estava avaliando a aquisição de dois centros de distribuição administrados pela empresa.

Durante a análise, encontramos transferências irregulares, contratos duplicados e pagamentos para uma consultoria registrada em nome do senhor Eduardo Mendonça.

Arnaldo encarou o sócio.

— Isso é mentira.

— Não é — disse César.

Eduardo recuou.

— Eu não vou ficar aqui ouvindo acusações.

— Curioso — Marina disse.

— Minutos atrás você parecia confortável vendo isso acontecer comigo.

Ele a ignorou.

César retirou outra folha.

— Também identificamos autorizações digitais feitas a partir da conta corporativa de Rafael Vasconcelos.

Marina virou lentamente para o marido.

— Rafael?

Ele passou a língua pelos lábios secos.

— Eu posso explicar.

Augusto permaneceu imóvel.

— Então explique para minha filha.

Rafael olhou ao redor, como se ainda existisse alguma saída que não envolvesse a verdade.

— Eduardo disse que eram ajustes temporários de caixa.

Eduardo explodiu.

— Não joga isso em mim.

— Você disse que devolveria antes da auditoria.

— E você assinou tudo porque queria o bônus.

O pai de Rafael levou a mão ao peito.

— Vocês fizeram o quê?

Rafael se virou para Marina.

— Eu ia contar.

Ela sentiu uma exaustão profunda.

— Quando?

Ele não respondeu.

— Depois? — perguntou ela.

A palavra atingiu os dois.

Rafael abaixou a cabeça.

Marina finalmente compreendeu por que o marido vinha tão tenso nas últimas semanas.

Por que atendia telefonemas no corredor.

Por que evitava falar sobre trabalho.

Por que insistira tanto para que ela comparecesse ao casamento, apesar das provocações da família.

Talvez quisesse manter a aparência de normalidade.

Talvez tivesse medo de que o sobrenome Albuquerque, que ele acreditava ser apenas uma coincidência distante, surgisse durante a auditoria.

Ou talvez fosse simplesmente um homem

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