— Parece falso.
Marina estendeu a mão.
— Devolva.
Helena soltou um sorriso curto.
— Você se preocupa demais com coisas que não valem nada.
Teresa já tocava os bolsos do vestido de Marina.
— Pare.
A mulher continuou.
Marina deu um passo para trás.
Os dedos de Teresa prenderam no tecido leve que cobria suas costas.
O rasgo ecoou pelo salão.
Parte do vestido abriu do ombro até a cintura.
A camada interna permaneceu no lugar, mas não havia nada que pudesse protegê-la dos olhares, dos celulares erguidos e do murmúrio coletivo que percorreu as mesas.
Marina sentiu o rosto esquentar.
A mão foi instintivamente para a barriga.
Ela olhou para Rafael.
— Faça alguma coisa.
Ele passou a mão pelo cabelo.
— Marina, por favor.
— Por favor o quê?
— Não piora.
Foi então que o constrangimento desapareceu.
No lugar dele surgiu uma clareza fria.
Marina compreendeu que passara anos chamando de paciência algo que, na verdade, era abandono.
Cada vez que Rafael pedira que ela relevasse uma ofensa, ele escolhera o conforto dele em vez da dignidade dela.
Naquela noite, diante de duzentas pessoas, ele fizera a mesma escolha pela última vez.
Helena revistou a bolsa.
Nada.
Teresa apalpou o tecido rasgado.
Nada.
— Ela deve ter escondido — insistiu Helena.
— Onde? — perguntou alguém perto da pista.
Helena lançou um olhar irritado na direção da voz.
Foi quando Marina notou o gerente do evento.
Paulo estava parado perto da entrada principal.
Conhecia Marina desde adolescente, embora ninguém da família Vasconcelos soubesse disso.
O gerente mantinha a postura profissional, mas havia algo estranho em seu rosto.
Ele estava pálido.
E não olhava para Marina.
O foco dele estava em Eduardo Mendonça, padrinho da noiva e sócio do pai de Helena.
Eduardo mantinha uma mão dentro do paletó.
Ao lado dele, Amanda, prima de Helena, segurava uma pequena bolsa prateada contra o corpo.
Marina levantou os olhos.
Uma câmera de segurança piscava acima da entrada.
Outra estava perto do bar.
Uma terceira cobria a mesa principal.
A família Vasconcelos estava tão acostumada a dar ordens que aparentemente esquecera um detalhe simples: aquele salão não lhes pertencia.
Marina puxou o celular da mesa.
Helena riu.
— Vai ligar para a polícia?
— Não.
Marina aproximou o telefone do ouvido.
O pai atendeu quase imediatamente.
— Filha?
Ela não falava com Augusto Albuquerque havia meses além de mensagens curtas.
Não por briga, mas por uma distância que Marina criara para provar a si mesma que conseguia construir uma vida sem o nome da família abrindo portas.
Naquele momento, a experiência parecia cruelmente irônica.
— Pai — disse, baixinho.
— Pode vir.
Houve uma pausa.
— Tem certeza?
Marina olhou para o vestido rasgado.
Depois para Rafael.
— Tenho.
A voz do pai mudou.
— Fique onde está.
César está subindo.
Ela desligou.
Helena cruzou os braços.
— Quem é César?
As portas do salão se abriram antes que Marina respondesse.
Paulo entrou acompanhado por quatro homens de terno.
Um deles carregava um tablet.
Outro trazia uma pasta de documentos.
O gerente ignorou Helena e caminhou diretamente até Marina.
Retirou o próprio paletó e colocou sobre os ombros dela.
— Senhora Marina Albuquerque, peço desculpas pelo que ocorreu dentro desta propriedade.
As conversas explodiram em sussurros.
Teresa franziu a