testa.
— Senhora quem?
Paulo se virou.
— Marina Albuquerque.
O sobrenome era conhecido.
O Grupo Albuquerque havia começado quarenta anos antes com dois pequenos hotéis no litoral.
Naquela época, administrava dezenas de propriedades, edifícios comerciais e centros de convenções.
Inclusive aquele hotel.
Rafael pareceu perder o ar.
— Marina…
Ela não olhou para ele.
Teresa soltou uma risada nervosa.
— Isso não muda nada.
Nós pagamos por este casamento.
Paulo respondeu com serenidade.
— A senhora contratou o salão.
Isso não lhe dá autoridade sobre a equipe, sobre as câmeras de segurança ou sobre qualquer hóspede.
Helena olhou para o cartão preto sobre a mesa.
O gerente acompanhou o olhar.
— Esse cartão dá acesso às áreas executivas e administrativas da propriedade.
Helena soltou o cartão como se ele tivesse ficado quente.
Marina se virou para o homem do tablet.
— César.
O advogado fez um aceno discreto.
— Conseguimos preservar as gravações antes que alguém solicitasse qualquer alteração.
Eduardo ficou rígido.
Marina percebeu.
— Mostre.
Helena avançou.
— Você não pode exibir imagens do meu casamento para todo mundo.
César a encarou.
— Considerando que a senhora acusou publicamente uma pessoa de furto e permitiu que ela fosse submetida a uma revista improvisada, será útil esclarecer publicamente o que ocorreu.
Ele abriu o primeiro vídeo.
Na tela, Helena aparecia perto da mesa principal.
Uma cabeleireira ajustava o véu.
Helena retirava o colar e o colocava numa pequena caixa de veludo escuro.
Depois saía do enquadramento.
Dois minutos mais tarde, Eduardo aproximava-se da mesa.
Olhou para os lados.
Pegou a caixa.
Um murmúrio atravessou o salão.
O vídeo continuou.
Amanda surgiu inesperadamente.
Eduardo pareceu se assustar.
Num movimento rápido, colocou a pequena caixa dentro da bolsa prateada que ela deixara aberta enquanto pegava o celular.
Amanda empalideceu.
— Não.
Helena correu até ela.
— Me dá a bolsa.
— Eu não sabia que estava aí.
Helena arrancou a bolsa de sua mão e começou a procurar.
A caixa apareceu segundos depois.
Ela a abriu.
O colar brilhava lá dentro.
Alguns convidados começaram a falar ao mesmo tempo.
Eduardo tentou caminhar em direção à saída.
Dois seguranças bloquearam discretamente a porta.
— Ainda não terminou — disse César.
Helena se virou.
— O colar foi encontrado.
Acabou.
— Não.
O advogado abriu outra gravação.
Dessa vez, a câmera mostrava um corredor lateral poucos minutos depois de Eduardo esconder a joia.
Ele encontrava Helena perto de uma porta de serviço.
O áudio captava as vozes.
— Fiz minha parte — dizia Eduardo.
— E ninguém viu?
— Acho que não.
Helena olhava em direção ao salão.
— Quando eu gritar, deixa comigo.
Minha mãe vai pressionar Marina.
Rafael não vai defendê-la.
A gravação pareceu esvaziar o oxigênio do ambiente.
Rafael virou lentamente para a irmã.
— O quê?
Helena ficou pálida.
— Isso está sendo interpretado errado.
César tocou a tela.
Outro trecho apareceu.
Helena falava novamente.
— Se ela for humilhada na frente de todo mundo, talvez finalmente desapareça da nossa família.
Eduardo perguntou:
— E se não encontrarem nada com ela?
Helena sorriu na gravação.
— Minha mãe faz o resto.
Teresa cambaleou um passo para trás.
— Helena…
— Mãe, eu posso explicar.
Marina sentiu o bebê se mexer outra vez.
Colocou a mão sobre a barriga e