respirou devagar.
Por três anos, aquelas pessoas haviam tentado convencê-la de que era sensível demais.
Que entendia piadas como insultos.
Que precisava se esforçar mais para pertencer.
Agora, uma tela mostrava que a crueldade não era imaginação.
Era estratégia.
Rafael se aproximou.
— Marina, eu juro que não sabia.
Ela finalmente o encarou.
— Eu sei.
Ele pareceu aliviado por um segundo.
— Então…
— Mas você não precisava saber.
O alívio desapareceu.
— O quê?
— Você precisava apenas confiar em mim quando sua irmã apontou o dedo.
Precisava impedir sua mãe de colocar as mãos em mim.
Precisava fazer uma única coisa que um marido deveria fazer sem precisar de prova, sobrenome ou câmera.
Rafael abaixou a voz.
— Eu estava tentando impedir uma cena.
Marina abriu o paletó de Paulo apenas o suficiente para mostrar o vestido rasgado.
— Esta foi a cena que você decidiu aceitar.
Ele não respondeu.
Teresa aproximou-se, com o rosto agora marcado pelo medo.
— Marina, houve um erro terrível.
— Não foi um erro.
— Helena estava nervosa, é o casamento dela…
— Ela planejou me acusar de roubo.
Teresa olhou ao redor, consciente de todos os convidados ouvindo.
— Podemos conversar em particular.
— Você rasgou meu vestido em público.
A frase encerrou a tentativa.
Helena começou a chorar.
— Eduardo me convenceu.
Eduardo riu, incrédulo.
— Agora eu convenci?
— Cala a boca.
— Você me ofereceu dinheiro para pegar a joia.
O pai de Helena, Arnaldo, avançou.
— Dinheiro de onde?
Eduardo ficou em silêncio.
César observou a reação.
— Talvez seja o momento de tratar da segunda questão.
Todos olharam para ele.
— Que segunda questão? — perguntou Arnaldo.
Antes que o advogado respondesse, as portas se abriram novamente.
Augusto Albuquerque entrou.
Marina reconheceu imediatamente a expressão do pai.
Não era raiva explosiva.
Era pior.
Augusto ficava mais calmo quanto mais furioso estava.
Ele atravessou o salão sem cumprimentar ninguém.
Seus olhos encontraram a filha.
Depois desceram para o vestido rasgado sob o paletó.
— Você está machucada?
A pergunta foi simples.
Marina sentiu a garganta apertar pela primeira vez.
— Não fisicamente.
Augusto assentiu.
Passou os olhos pelo salão e encontrou Rafael.
O genro deu um passo à frente.
— Senhor Albuquerque, eu queria explicar…
Augusto ergueu a mão.
— Ainda não.
Rafael parou.
Augusto voltou-se para a filha.
— O que você quer fazer?
Marina levou alguns segundos para responder.
Durante toda a noite, pessoas haviam decidido por ela.
Helena decidira que era culpada.
Teresa decidira que podia revistá-la.
Rafael decidira que o melhor era obedecer e resolver depois.
O pai apenas perguntava.
— Quero ir embora.
— Certo.
César aproximou-se.
— E quanto ao ocorrido?
Marina olhou para Helena.
— Quero tudo documentado.
O rosto da noiva se desfez.
— Você vai chamar a polícia?
— Eu vou deixar que os profissionais decidam quais medidas cabem.
Teresa juntou as mãos.
— Marina, pense no bebê.
Pense no Rafael.
Isso vai destruir a família.
Marina virou-se para ela.
— Eu pensei nessa família durante três anos.
Então olhou para o marido.
— E vocês nunca pensaram em mim.
Rafael aproximou-se mais uma vez.
— Não termina nosso casamento por causa de uma noite.
Marina quase sorriu de tristeza.
— Não estou terminando por causa de