que senti meus olhos arderem.
Não era apenas leite derramado.
Era a diferença entre uma infância construída sobre o medo e outra em que uma criança finalmente podia cometer pequenos erros sem acreditar que perderia o amor de alguém.
Naquela quinta-feira, meses antes, encontrei minha filha escondida atrás de uma porta, com medo de contar que estava machucada.
Agora ela estava diante de mim, sorrindo, segurando um pano de cozinha.
O vídeo de dona Celina ajudou a provar o que havia acontecido.
Os médicos registraram as lesões.
Os profissionais de proteção fizeram seu trabalho.
A Justiça estabeleceu medidas para mantê-la segura.
Mas o que mais importava naquele instante era algo que nenhuma câmera poderia registrar completamente.
Minha filha já não precisava escolher entre contar a verdade e acreditar que seria amada.
E, quando ela terminou de limpar a bancada, correu para me abraçar sem medo de sentir dor.