contra ele.
“Procure Marcos Vidal em Porto Azul.
Se ele ainda estiver vivo, possui o arquivo chamado Atlas.
É a única coisa capaz de desmontar tudo.”
A gravação terminou com outra revelação.
“E Daniel, preciso que saiba algo sobre Bruno antes de encontrá-lo novamente.
Ele não é apenas seu meio-irmão.
Existe uma razão para Helena ter certeza de que ele deveria controlar a empresa depois de mim.”
A mensagem acabou.
Daniel não teve tempo de processar.
A maçaneta externa começou a girar.
Ele apagou a lanterna e se escondeu atrás do armário.
Dois homens entraram.
Daniel reconheceu a voz de um deles.
Era Bruno.
“Ele esteve aqui”, disse.
O outro homem respondeu:
“Então precisamos encontrar Vidal antes dele.”
Era Renato Vilar.
Daniel sentiu o sangue gelar.
Ficou imóvel enquanto os dois vasculhavam o local.
Quando se afastaram para verificar a sala dos fundos, Daniel escapou pela porta lateral e correu pelos becos até uma avenida movimentada.
Pegou um ônibus noturno para Porto Azul.
Durante a viagem, examinou os papéis que conseguira colocar na mochila.
Entre eles havia registros que mostravam que Helena controlava uma consultoria chamada Bellatrix Participações por meio de uma procuradora.
Bellatrix recebera milhões da Ferraz Logística.
Daniel também encontrou algo ainda mais estranho: pagamentos mensais para uma clínica particular em Porto Azul.
Ao amanhecer, chegou ao endereço indicado pelo pai.
Era uma pequena hospedaria perto do mar.
O quarto 12 estava vazio.
A dona do lugar, uma mulher chamada Teresa, reconheceu a fotografia de Marcos.
“Ele ficou aqui meses”, contou.
“Mas foi embora há três semanas.”
“Sabe para onde?”
Teresa hesitou.
“Ele deixou isto caso alguém chamado Daniel aparecesse.”
Era outro envelope.
Dentro havia uma chave de armário e uma nota escrita às pressas.
“Seu pai está vivo.
Mas Helena descobriu onde ele está.”
Daniel sentiu o estômago contrair.
A nota apontava para a antiga Estação Marítima de Porto Azul.
No guarda-volumes, encontrou um pendrive preso dentro de um sapato velho.
Abriu o conteúdo num computador público.
Ali estava o arquivo Atlas.
Centenas de documentos comprovavam que os acessos atribuídos a Daniel haviam sido fabricados.
Havia cópias de mensagens entre Helena e Renato Vilar, movimentações bancárias ligando Bruno às empresas de fachada e gravações de áudio.
Uma delas começava com a voz de Helena:
“Daniel vai assumir a culpa.
Ele tem motivo, acesso e temperamento.
Ninguém vai procurar além disso.”
Bruno respondeu:
“E se Augusto descobrir?”
“Ele sempre perdoa você.”
Houve uma pausa.
Então Helena disse algo que esclareceu a frase deixada por Augusto:
“Depois de tudo que fiz para esconder que você é filho dele, ele me deve pelo menos isso.”
Daniel afastou-se do computador.
Bruno era filho biológico de Augusto.
Helena tivera um relacionamento com ele anos antes de se casarem oficialmente, enquanto ainda estava com seu primeiro marido.
Para evitar um escândalo, a verdadeira paternidade fora escondida.
Aquilo explicava a obsessão dela pela herança.
Mas ainda não explicava onde Augusto estava.
Nos arquivos havia uma última gravação feita por Marcos apenas quatro dias antes.
“Augusto está numa clínica particular sob outro nome.
Helena conseguiu localizá-lo.
Acho que pretende incapacitá-lo legalmente e assumir o restante das ações antes que ele consiga aparecer.”
Daniel voltou aos comprovantes encontrados no galpão.
Clínica Santa Aurora.
Os pagamentos mensais.
Ele correu.
A clínica ficava numa estrada afastada, cercada por