dele.
Hotel Imperial.
Entrada: 19h14.
Saída: 23h02.
Naquela noite, Gabriel dissera que estava em uma reunião de orçamento com um cliente.
Clara não perguntou nada.
Fotografou o recibo.
Dois dias depois, sentada dentro do próprio carro durante o horário de almoço, procurou uma investigadora particular.
Foi assim que conheceu Joana Ferraz.
Joana tinha pouco mais de cinquenta anos, cabelo curto e uma maneira objetiva de falar que fez Clara confiar nela imediatamente.
— Você quer saber se ele está tendo um caso? — perguntou no primeiro encontro.
Clara ficou alguns segundos olhando para a xícara de café.
— Quero saber se estou ficando louca.
Joana não sorriu.
— Essas duas perguntas costumam andar juntas.
Durante três semanas, Clara não recebeu nenhuma atualização significativa.
Depois, na manhã de Natal, Joana telefonou.
— Encontrei o que você precisava.
Clara saiu da clínica depois de resolver a emergência da paciente e dirigiu até uma cafeteria quase vazia perto da estação central.
Joana já esperava em uma mesa no fundo.
Havia um envelope pardo diante dela.
— Antes de abrir — disse —, preciso avisar que encontrei mais do que você pediu.
Clara sentiu o estômago apertar.
— Ele está com outra pessoa?
Joana deslizou uma fotografia para fora do envelope.
Gabriel aparecia diante da entrada lateral do Hotel Imperial, beijando uma mulher de casaco vermelho.
Clara olhou para a foto por vários segundos.
Nenhuma lágrima veio.
Apenas uma sensação quase física de encaixe.
As ligações no quintal.
A senha do telefone.
As noites demoradas.
O perfume.
Tudo encontrava seu lugar.
— O nome dela é Daniela Moura — explicou Joana.
— Trinta e seis anos.
Trabalha com produção de eventos corporativos.
Clara continuou encarando a fotografia.
— Há quanto tempo?
— Pelo menos dezesseis meses, com base no que consegui documentar.
Dezesseis meses.
A palavra pareceu enorme.
Antes do último aniversário de casamento.
Antes da viagem que fizeram para Gramado.
Antes da noite em que Gabriel segurou sua mão no restaurante e disse que queria comprar uma casa maior porque talvez estivesse na hora de pensarem em ter filhos.
— Você disse que encontrou mais alguma coisa.
Joana abriu uma pasta.
— Sim.
Foi então que mostrou as transferências.
Pequenos valores, repetidos ao longo de quase um ano, saindo da conta conjunta de Clara e Gabriel para uma empresa chamada BMR Consultoria.
Somados, ultrapassavam cento e oitenta mil reais.
Clara conhecia o nome.
BMR eram as iniciais de Bianca Moreira Ribeiro, irmã de Gabriel.
— A empresa é da minha cunhada.
— Exato.
Joana virou outra página.
— E há mais.
Foi essa última descoberta que fez Clara dirigir para casa sem saber se sentia raiva, medo ou apenas um cansaço profundo.
Agora, diante da mesa de Natal, Gabriel exigia que ela colocasse pratos para sua família.
Clara levou a mão ao bolso.
Bianca ergueu os olhos e acompanhou o movimento.
Depois olhou rapidamente para Gabriel.
Aquele gesto confirmou algo.
Bianca sabia.
Talvez não soubesse tudo, mas sabia o bastante para ter medo do que estava dentro daquele envelope.
Clara caminhou até a mesa e o colocou ao lado de uma rena de cerâmica dourada.
Gabriel franziu a testa.
— O que é isso?
— Quem é Daniela Moura?
O rosto dele ficou imóvel.
Teresa olhou de Clara para o filho.
— Gabriel?