No Natal, Ela Expôs a Traição — Mas o Último Documento Mudou Tudo

— Não sei do que ela está falando.

Clara abriu o envelope.

Tirou três fotografias.

Na primeira, Gabriel abraçava Daniela diante do hotel.

Na segunda, os dois se beijavam.

Na terceira, entravam juntos pela porta lateral.

Augusto soltou o garfo que ainda segurava.

O metal bateu no prato.

Teresa empalideceu.

Gabriel não olhou para as fotos por muito tempo.

Olhou para Clara.

— Você mandou alguém me seguir?

Foi ali que algo dentro dela terminou definitivamente.

Não porque ele havia traído.

Mas porque, diante da prova, sua primeira reação não foi culpa.

Foi indignação por ter sido descoberto.

— Mandei.

— Isso é doentio.

— Não.

Doentio foi você passar dezesseis meses mentindo para mim e depois me dizer que eu estava paranoica.

Gabriel olhou para a família.

— Isso está sendo tirado de contexto.

Clara quase admirou a audácia.

— Existe contexto para essa fotografia em que sua língua está na boca dela?

Bianca baixou a cabeça.

Teresa fechou os olhos.

— Clara, por favor…

— Não.

Hoje não.

Clara retirou os extratos bancários do envelope.

— Porque não se trata apenas de traição.

Gabriel percebeu o que eram aqueles papéis antes que os outros percebessem.

Sua expressão mudou.

— Onde você conseguiu isso?

— Nossa conta.

Nosso dinheiro.

Ela espalhou algumas páginas sobre a mesa.

— Cento e oitenta e quatro mil reais transferidos ao longo de onze meses para a BMR Consultoria.

Teresa olhou para Bianca.

— BMR?

Bianca empurrou a cadeira para trás.

— Eu preciso ir.

— Não — disse Clara.

— Você precisa ficar.

Gabriel endureceu o tom.

— Não envolva minha irmã nisso.

Clara virou um dos extratos em sua direção.

— Foi você quem envolveu.

Augusto puxou os documentos para perto.

Contador aposentado, passou os olhos pelas transações e imediatamente percebeu o padrão.

— Isso foi fracionado — disse.

Gabriel não respondeu.

— Valores diferentes, intervalos irregulares.

Parece proposital.

Bianca começou a chorar.

Teresa levantou-se.

— O que vocês fizeram?

— Mãe, eu posso explicar.

— Então explique.

Bianca olhou para Gabriel.

Ele fez um movimento quase imperceptível com a cabeça.

Não.

Clara viu.

Augusto também.

— Você está tentando impedir sua irmã de falar? — perguntou.

— Pai, você não sabe do que está falando.

— Então me conte.

Bianca respirou fundo.

— Gabriel usou minha empresa.

A sala ficou silenciosa.

— Para quê? — Clara perguntou.

— Para esconder pagamentos.

Gabriel bateu a mão na mesa.

— Chega.

Bianca levantou a voz.

— Eu cansei de carregar isso!

Clara sentiu o coração acelerar.

— Pagamentos para quem?

Bianca olhou para a fotografia.

— Daniela.

Teresa levou a mão à boca.

Clara permaneceu imóvel.

— Quanto do dinheiro foi para ela?

— Eu não sei exatamente.

Gabriel fazia as transferências para minha empresa e me mandava repassar para contas diferentes.

— E você fazia?

Bianca assentiu.

— Por quê?

A pergunta saiu mais fria do que Clara esperava.

— Porque eu devia dinheiro ao Gabriel.

Quando meu salão quase fechou, dois anos atrás, ele me emprestou cinquenta mil sem contar para ninguém.

Depois começou a cobrar favores.

— Isso não justifica.

— Eu sei.

Bianca enxugou o rosto.

— Eu sei agora.

Gabriel soltou uma risada amarga.

— Que conveniente.

Todo mundo resolveu me transformar no vilão.

Clara encarou o marido.

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