ficou imóvel.
Joana continuou.
— Daniela prestou serviço para ele em um evento corporativo.
Alegou que não recebeu todo o valor contratado.
O processo foi encerrado depois de um acordo particular.
— Então eles já se conheciam.
— Sim.
E há mais.
Eu consegui localizar uma ex-colega dela.
Segundo essa mulher, Daniela dizia que Gabriel devia a ela muito mais do que dinheiro.
Clara sentiu um aperto no peito.
— O que isso quer dizer?
— Ainda não tenho certeza.
Mas encontrei outro nome ligado ao apartamento.
— Quem?
— Uma empresa que financiou parte da compra.
A mesma empresa aparece em dois contratos recentes da firma do Gabriel.
Clara fechou os olhos.
— Ele está usando a própria empresa para sustentar isso?
— Talvez pior.
Pode estar transferindo patrimônio antes de uma possível falência.
Clara abriu os olhos.
De repente, a traição parecia apenas uma parte de algo maior.
— Você tem provas?
— Tenho indícios fortes.
Vou mandar tudo para seu advogado.
Quando Clara desligou, Gabriel estava parado na porta da cozinha.
— Quem era?
Ela guardou o telefone.
— A investigadora.
Ele empalideceu.
— O que ela disse?
Clara o observou.
Até então, ela acreditava que estava diante de um homem pego em uma traição.
Agora via outra coisa.
Medo verdadeiro.
— Por que você está tão preocupado?
Gabriel tentou sorrir.
— Porque você contratou uma pessoa para vasculhar minha vida.
— Nossa vida.
— Clara, não faça isso.
— Fazer o quê?
— Transformar problemas financeiros em outra coisa.
Ela ficou em silêncio.
Ele percebeu tarde demais.
— Problemas financeiros? — repetiu Clara.
Gabriel fechou os olhos.
Tinha acabado de revelar algo que ela ainda não dissera saber.
— Quanto você deve?
— Não importa.
— Quanto?
— Eu consigo resolver.
— Com o dinheiro do apartamento?
Ele não respondeu.
Augusto apareceu no corredor.
— Que dívida?
Gabriel se virou.
— Pai, por favor.
— Que dívida?
Desta vez, ele respondeu.
— Um milhão e duzentos.
Teresa, que também se aproximara, segurou a parede.
— Meu Deus.
Clara ficou imóvel.
— E você estava tirando dinheiro da nossa conta porque…
— Eu precisava manter algumas coisas funcionando.
— E Daniela?
Gabriel passou a mão pelo rosto.
— Daniela conseguiu investidores.
— Então a amante também virou parceira de negócios.
— Não foi planejado assim.
Clara pensou na mensagem de Joana.
Daniela não entrara na vida dele por acaso.
— Ela se aproximou de você por causa da dívida?
Gabriel demorou a responder.
— No começo.
Aquilo mudou tudo.
A amante não era apenas uma mulher pela qual ele se apaixonara.
Era alguém ligada aos negócios, aos investidores e à tentativa desesperada de Gabriel de impedir que sua empresa afundasse.
— E o apartamento?
— Uma garantia.
Clara franziu a testa.
— Garantia de quê?
— De que eu não fugiria do acordo.
Augusto aproximou-se.
— Que acordo?
Gabriel sentou-se.
Pela primeira vez naquela tarde, parecia cansado.
— Eu aceitei dinheiro de um grupo de investidores para terminar três obras grandes.
Depois perdi dois contratos.
Usei parte do dinheiro de um projeto para cobrir outro.
Achei que conseguiria recuperar quando entrassem novos pagamentos.
Augusto ficou pálido.
— Você misturou caixa de projetos?
Gabriel não respondeu.
— Isso pode ser fraude dependendo dos contratos.
Teresa começou a chorar.