Perdi Minha Filha, e Minha Sogra Tentou Roubar Meu Futuro

aquelas pessoas discutirem sobre milhões enquanto o berço de Lia permanecia vazio.

Pedi à segurança que retirasse Sílvia e Otávio e que não permitisse novas visitas deles sem minha autorização.

Otávio demorou alguns segundos para entender que eu falava sério.

— Elisa, você não pode me excluir assim.

Olhei para ele.

— Você me excluiu de uma decisão sobre meu próprio patrimônio.

E não fez nada quando sua mãe me bateu.

Saia.

Ele saiu.

Naquela noite, uma enfermeira entrou no quarto carregando um pequeno cobertor branco.

Perguntou se eu gostaria de segurar Lia mais uma vez.

Eu queria.

Também tinha medo.

Recebi minha filha nos braços com uma delicadeza que nunca vou esquecer.

Ela tinha cabelos escuros, bochechas pequenas e dedos compridos.

Parecia estar dormindo.

Encostei meu rosto no dela e falei baixinho sobre o quarto que a esperava, sobre as estrelas que o avô havia feito e sobre a canção que eu costumava cantar durante a gravidez.

Não houve resposta.

A enfermeira permaneceu por perto, respeitando meu silêncio.

Minha mãe sentou-se ao lado da cama e chorou comigo.

Meu pai ficou junto à porta.

Não tentou transformar aquela despedida em uma lição sobre força.

Não disse que tudo acontecia por um motivo.

Não prometeu que um dia eu entenderia.

Apenas ficou ali.

Quando entreguei Lia de volta, senti que alguma parte de mim continuava dentro daquele cobertor.

Eu não sabia como voltaria para casa.

Não sabia como entraria no quarto dela.

E não fazia ideia do que estava acontecendo, naquele exato momento, do outro lado da cidade.

Às seis e doze da manhã seguinte, Geraldo telefonou para meu pai.

Geraldo cuidava do Armazém das Figueiras havia quase trinta anos.

Conhecera minha avó, ajudara a consertar telhados durante temporais e sabia o nome de todos os antigos comerciantes da região.

— Seu Vicente, chegaram uns homens aqui — disse, aflito.

— Tem dois caminhões e uma escavadeira perto do portão.

Meu pai se endireitou na cadeira.

— Eles estão fazendo o quê?

— Dizem que vão começar a retirar a ala antiga.

Um deles tem uma autorização com a assinatura da Elisa.

A dor no meu abdômen pareceu aumentar.

— Pai, ninguém pode entrar lá.

Ele pediu que Geraldo permanecesse em segurança e não confrontasse os trabalhadores.

Dalva, que acabara de voltar com a confirmação da contestação enviada ao banco, ouviu a conversa.

— Vou pedir a cópia dessa autorização e acionar a fiscalização municipal — disse.

Ela também orientou Geraldo a registrar, de um lugar seguro, a presença das máquinas e qualquer tentativa de entrada.

Os portões ainda estavam fechados.

Mas o encarregado da equipe afirmava que recebera uma ordem urgente da Lacerda Urbanismo.

Segundo ele, a empresa precisava iniciar os trabalhos antes de uma vistoria de investidores marcada para a semana seguinte.

Dalva e meu pai foram ao local.

Eu permaneci no hospital.

Queria ir, mas mal conseguia me levantar sozinha.

A médica explicou que, depois daquela cirurgia e da perda de sangue, eu precisava de acompanhamento e repouso.

Pela primeira vez na vida, precisei aceitar que defender uma propriedade não significava estar fisicamente diante dela.

Eu podia tomar decisões da cama.

E foi o que fiz.

Autorizei Dalva a formalizar todas as medidas necessárias para impedir a entrada da equipe e preservar o imóvel.

No armazém, meu

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