Meu Marido Protegeu o Amigo Que Minha Empresa Sustentava

era melhor ignorar.

E sempre havia Rafael, completando a cena com a mesma frase:

— Ele é meu irmão.

Você sabe como ele é.

Eu sabia.

O que ainda não sabia era até onde aquela proteção chegava.

Rafael e Vinícius tinham estudado juntos desde os quinze anos.

Quando eram adolescentes, dividiram um quarto durante uma viagem escolar, trabalharam num lava-jato para comprar ingressos de shows e prometeram que um dia seriam empresários ricos.

A vida acabou seguindo caminhos diferentes.

Rafael estudou administração.

Vinícius abriu uma pequena agência de publicidade chamada Vértice Comunicação, mas enfrentou dificuldades para manter clientes e funcionários.

Eu conheci Rafael numa feira gastronômica.

Ele me ajudou a carregar caixas quando uma das rodas do meu carrinho quebrou.

Era atencioso, paciente e parecia admirar minha capacidade de trabalhar.

Nos primeiros anos, foi um parceiro verdadeiro.

Quando abrimos nossa segunda cafeteria, ajudou a organizar fornecedores e negociar contratos.

Mais tarde, passou a trabalhar formalmente na empresa como diretor de expansão, recebendo salário e tendo responsabilidades definidas.

A Riacho & Grão continuava sendo uma empresa que eu fundara antes do casamento e da qual era a única sócia.

Rafael não possuía participação societária, mas eu confiava muito no julgamento dele.

Foi essa confiança que abriu a porta para Vinícius.

Quatro anos antes daquele almoço, Rafael me procurou dizendo que a Vértice precisava de uma grande oportunidade.

— O Vinícius é bom no que faz.

Só não teve clientes capazes de mostrar o potencial dele — explicou.

Naquele período, precisávamos renovar a identidade das embalagens, melhorar a publicidade digital e preparar a expansão da rede.

Conversei com nossa equipe, solicitei uma apresentação comercial e autorizei a contratação depois de receber propostas e um plano de trabalho.

O valor mensal era de R$ 58.600.

Não era uma quantia pequena.

Mas incluía produção de conteúdo, fotografia, planejamento de campanhas, materiais impressos e suporte às cinco unidades.

Nos primeiros meses, a agência entregou resultados suficientes para justificar a continuidade.

Depois, as apresentações ficaram mais bonitas que as campanhas.

As reuniões se multiplicaram.

As entregas atrasavam.

E Rafael tinha sempre uma justificativa para defender o amigo.

Eu deveria ter prestado mais atenção.

Mas estava ocupada demais tentando manter meu próprio negócio funcionando.

Na segunda-feira seguinte ao almoço, cheguei à cozinha central às seis e vinte da manhã.

Dona Neusa me encontrou avaliando uma fornada de pães.

— Sua cara não está boa, menina.

Sorri sem vontade.

— Dormi pouco.

Ela colocou uma xícara de café diante de mim.

— Você pode construir cinco lojas, Marina, mas ainda precisa descansar dentro da própria vida.

A frase ficou comigo durante o dia inteiro.

À tarde, pedi a Paula, nossa controladora financeira, uma revisão dos contratos de marketing.

Não anunciei uma demissão.

Não determinei cancelamento imediato.

Apenas quis saber exatamente quanto pagávamos, quais serviços recebíamos e quando o contrato da Vértice poderia ser encerrado.

Paula informou que a renovação anual estava prevista para acontecer em quarenta e cinco dias e que o contrato permitia rescisão sem necessidade de justificar o motivo, desde que fosse observado o aviso prévio de quarenta e cinco dias.

Aquilo significava que tínhamos uma saída contratual.

Mas eu ainda não sabia que havia outros motivos para investigar.

Na quarta-feira, Rafael me lembrou da inauguração do novo escritório de Vinícius.

— É importante para ele

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