Meu Marido Protegeu o Amigo Que Minha Empresa Sustentava

Então perguntou:

— Se eu pedir desculpas, você deixa o contrato continuar?

Aquela pergunta acabou com a pouca esperança que ainda restava.

Mesmo ali, diante das notas fiscais e do risco que havia criado, ele tratava um pedido de desculpas como uma moeda de troca.

— Você está pedindo perdão porque entendeu o que fez ou porque o Vinícius pode perder o contrato?

Rafael olhou para os documentos.

— Eu não quero perder meu melhor amigo.

— E você está disposto a perder sua esposa?

Ele não respondeu.

Eu já tinha minha resposta.

A notificação de encerramento contratual foi enviada naquela tarde.

O prazo de quarenta e cinco dias começou a correr conforme o acordo.

Vinícius reagiu mal.

Primeiro, mandou mensagens ameaçando processar minha empresa.

Depois, tentou convencer Rafael a me fazer mudar de ideia.

Por fim, pediu uma reunião presencial para discutir a transição.

Concordamos, com a presença de Camila, Paula e um representante da agência.

Vinícius apareceu com uma pasta preta e seu relógio caro.

Rafael veio junto, embora já não estivesse autorizado a representar a Riacho & Grão na negociação.

O amigo começou falando sobre os anos de parceria e a importância da publicidade para o crescimento das lojas.

Eu reconheci que a agência havia realizado trabalhos úteis.

— Por isso pagaremos tudo o que for devido pelo contrato e pelos serviços válidos prestados — expliquei.

— Mas não renovaremos o relacionamento.

Vinícius apertou a mandíbula.

— Você quer destruir minha empresa.

— Não.

Quero que a minha empresa contrate fornecedores em quem possa confiar.

Ele se inclinou para a frente.

— Você sabe quantas famílias dependem de mim?

— Sei que são pessoas que merecem receber seus salários e trabalhar numa empresa administrada de maneira responsável.

É por isso que estamos dando prazo para a transição, não encerrando tudo sem planejamento.

Rafael interrompeu:

— Marina, pelo amor de Deus, ele está tentando resolver.

Camila colocou uma cópia do contrato sobre a mesa.

— Rafael, esta reunião é entre as duas empresas.

Sua presença aqui foi aceita para esclarecimentos, mas você não possui poderes para decidir pela contratante.

Foi a primeira vez que ouvi alguém falar aquilo diretamente ao meu marido.

Vinícius olhou para ele, esperando uma reação.

Rafael permaneceu calado.

Paula apresentou a relação dos serviços cuja comprovação ainda estava pendente.

O representante da agência assumiu o compromisso de responder formalmente, com documentos.

Não houve gritos.

Não houve uma prisão cinematográfica nem uma decisão judicial instantânea.

Houve algo que, para aqueles dois homens, parecia muito mais desconfortável: perguntas objetivas, prazos escritos e a impossibilidade de me convencerem apenas apelando para a amizade entre eles.

Perto do fim da reunião, Vinícius se virou para mim.

— Você nunca gostou de mim, não é?

Pensei nas tardes em que o recebi em casa, nos almoços que preparei e nas oportunidades profissionais que aceitei oferecer.

— Eu tentei gostar.

Mas você confundiu minha educação com permissão para me desrespeitar.

Ele desviou os olhos.

— Foi só uma brincadeira.

— Você repetiu essa brincadeira durante anos.

E meu marido permitiu.

Agora quero que respeite uma decisão profissional que não depende do seu humor.

Levantei-me.

A reunião estava encerrada.

Naquela noite, encontrei Rafael em casa colocando roupas numa mala.

— Vou ficar uns dias na casa da minha mãe — disse.

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