— insistiu.
— Você sabe quanto tempo ele esperou por esse momento.
Eu estava cansada.
— Rafael, depois do que aconteceu no domingo, você realmente acha que eu deveria ir?
— Ele já esqueceu.
Você também deveria esquecer.
Olhei para o homem sentado do outro lado da mesa da cozinha.
— E se alguém fizesse aquilo com a sua mãe?
— Não começa, Marina.
Foi a resposta.
Acabei indo porque Rafael prometeu que conversaria com Vinícius antes do evento.
Disse que não permitiria novos comentários.
Vesti um conjunto azul-escuro, prendi o cabelo e coloquei os brincos que minha mãe me dera quando abri a primeira cafeteria.
O escritório ocupava um andar de um prédio moderno.
Havia janelas enormes, sofás claros e uma mesa de recepção com dezenas de doces cuidadosamente organizados.
Reconheci o nome do fornecedor das sobremesas.
Era uma confeitaria que também atendia à nossa rede.
No terraço, Vinícius recebia os convidados com uma alegria quase teatral.
Usava um relógio brilhante e falava sobre o novo momento da agência.
Contou que tinha contratado mais pessoas, investido em equipamentos e comprado um carro para celebrar o crescimento.
Rafael ouvia tudo orgulhoso.
— Esse é meu irmão — disse, abraçando o amigo.
Por alguns minutos, a noite transcorreu sem incidentes.
Então Vinícius pegou o microfone.
Agradeceu aos funcionários, citou clientes importantes e brincou sobre o tamanho do elevador panorâmico.
Quando me viu perto da mesa de doces, apontou para mim.
— Marina, cuidado com os brigadeiros! Daqui a pouco vamos precisar reforçar esse elevador!
A risada de um homem próximo ao bar atravessou o salão.
Outras pessoas acompanharam por constrangimento.
Eu senti meu rosto esquentar.
Virei a cabeça para Rafael.
Ele estava tão perto que podia ter colocado a mão no meu ombro.
Mas continuou segurando o copo, sem dizer nada.
Naquele instante, compreendi que não precisava esperar por uma terceira oportunidade.
Deixei a taça sobre a mesa e caminhei até o elevador.
Não corri.
Não chorei diante dos convidados.
Apenas saí.
Rafael me alcançou no estacionamento.
— Você está fazendo um escândalo por causa de uma brincadeira!
Parei ao lado do carro.
— Eu não fiz escândalo.
Só fui embora.
— Você sabe que o Vinícius não tem intenção de te machucar.
— Então por que ele continua quando sabe que machuca?
Rafael abriu a boca, mas não respondeu.
— Eu pedi uma única coisa — continuei.
— Que você não ficasse calado enquanto seu amigo me humilhasse novamente.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Vinícius estava na minha vida antes de você!
A frase ficou suspensa entre nós.
Não era uma explicação.
Era uma declaração de prioridade.
— Eu não pedi que você deixasse de ser amigo dele — respondi.
— Pedi que respeitasse sua esposa.
Rafael segurou meu braço quando tentei abrir a porta do carro.
— Marina, você está misturando as coisas.
Não pode prejudicar um contrato profissional porque está ofendida.
Olhei para a mão dele.
— Solta meu braço.
Ele soltou.
— Aquele contrato não é tão simples quanto você pensa — disse, nervoso.
— Existe uma coisa que você não sabe.
— Então me conta.
Rafael olhou para a entrada iluminada do prédio.
— Não aqui.
— Você acabou de me dizer que existe algo sobre a minha empresa que eu desconheço.
Por que